sábado, 17 de dezembro de 2016

Estar apaixonado


Sabemos que G. K. Chesterton converteu-se a fé católica e é um grande intelectual de obras literárias de qualidade admiráveis. Seu grande senso de humor faz com que o leitor, sinta-se ainda mais enriquecido intelectualmente, e se divirtam muito com seus textos.
Esta característica também está presente nas cartas privadas que ele enviava. Por exemplo, logo depois de pedir sua amada Frances em casamento, decidiu escrever a Mildred (esposa de seu amigo Waldo) contando-lhe a grande notícia de seu noivado.
Este foi o resultado:
“Querida Mildred:
Quando me levantei esta manhã, lavei cuidadosamente minhas botas com água e engraxei meu rosto. Então, vestindo o casaco com graciosa facilidade com os botões virados para as costas, eu desci para o café da manhã e alegremente coloquei café nas sardinhas e levei meu chapéu ao fogo para fritar. Estas atividades irão dar-lhe uma idéia de como eu estou. A minha família, vendo-me sair de casa através da chaminé e colocar a grelha da lareira debaixo do braço, pensaram que alguma coisa preocupava meu espírito. E era verdade.
Minha querida amiga, estou apaixonado”.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Marca n'Agenda | Porque há vida depois da morte



D. Javier Echevarria: Surf, só à terça-feira!

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a carta de um filho espiritual ao seu Padre
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Para Deus não há acasos e, por isso, foi providencial que o prelado do Opus Dei, D. Xavier Echevarria, falecesse ontem, dia de Nossa Senhora de Guadalupe, aos 84 anos, em Roma.

São Josemaria Escrivá de Balaguer, fundador do Opus Dei, era muito devoto da Santíssima Trindade, as três pessoas que há no único Deus – Pai, Filho e Espírito Santo – mas também de uma outra muito santa trindade, formada pela Sagrada Família de Nazaré: Jesus, o próprio Filho de Deus encarnado, sua mãe Maria e o seu marido, José.

São Josemaria, de certo modo, também veio a constituir, com os seus dois imediatos sucessores, uma certa ‘trindade’ mas, como é óbvio, sem qualquer pretensão a qualquer analogia com as referidas trindades! Com efeito, mais não era do que um trio, ou uma tróica, composta por S. Josemaria, por D. Álvaro del Portillo, que viria a ser o primeiro prelado do Opus Dei, e por D. Xavier Echevarria, nessa altura mero sacerdote e secretário do fundador: ambos, com efeito, costumavam acompanhá-lo sempre. Depois da morte de Escrivá e da eleição do seu sucessor, em 1975, Echevarria passou a ser secretário-geral do Opus Dei e, em 1982, vigário-geral da prelatura, até à sua própria eleição e nomeação como prelado, após o súbito falecimento, em 1994, de D. Álvaro del Portillo, entretanto beatificado pelo Papa Francisco. Foi ainda o Papa São João Paulo II quem, em 1995, elevou D. Xavier ao episcopado, como tinha feito já com o seu antecessor, por ser canonicamente congruente com o seu múnus prelatício.

Para Deus não há acasos e, por isso, foi providencial que D. Xavier Echevarria, de 84 anos, viesse a falecer no dia em que liturgicamente se celebra a festa de Nossa Senhora de Guadalupe. São Josemaria, em 1970, durante uma viagem pastoral ao México, ao contemplar um quadro da aparição de Maria ao índio Juan Diego, comentou: “Assim quereria eu morrer: olhando para Nossa Senhora e que ela me desse uma flor”. Depois de um breve momento de silenciosa oração, concluiu: “Sim, gostaria de morrer diante deste quadro, com Nossa Senhora a dar-me uma rosa”. E assim morreu, de facto, no dia 26 de Junho de 1975, em Roma, pelo meio-dia, hora particularmente mariana: ao entrar no seu quarto de trabalho, olhou para a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe e caiu, fulminado, ao chão, para expirar pouco depois.

Chamados a Roma os eleitores, em representação de todos os fiéis do Opus Dei, votaram unanimemente naquele que tinha sido o mais directo colaborador do santo fundador. Álvaro del Portillo tinha também participado intensamente nos trabalhos do Concílio Vaticano II, nomeadamente como secretário da comissão que redigiu o decreto relativo à missão e vida sacerdotal. Como sucessor de Escrivá, coube-lhe a difícil missão de levar a bom termo o processo de reconhecimento canónico do Opus Dei como prelatura pessoal, solução jurídica já prevista e desejada por Escrivá mas que só com Portillo foi possível implementar. Sob o seu impulso e com a bênção de S. João Paulo II, fundou a Universidade Pontifícia da Santa Cruz, na cidade eterna, e promoveu o trabalho pastoral e social do Opus Dei em muitos países.

Poucas horas depois da sua chegada a Roma, de regresso de uma breve viagem à Terra Santa, D. Álvaro del Portillo faleceu no dia 23 de Março de 1994. São João Paulo II, de quem era muito amigo, fez questão de ir pessoalmente, nesse mesmo dia, à cúria prelatícia, para rezar diante dos seus restos mortais. Por segunda vez na história desta obra de Deus, foi despoletado o processo eleitoral previsto no direito próprio da prelatura, de que resultou a eleição do então vigário-geral, Mons. Xavier Echevarria. São João Paulo II confirmou a eleição nomeando-o, no próprio dia 20 de Abril de 1994, prelado do Opus Dei e ordenando-o, pouco depois, bispo.

D. Xavier Echevarria, não obstante o apelido basco, era madrileno, mas viveu praticamente toda a sua vida em Roma, com S. Josemaria Escrivá e o Beato Álvaro del Portillo. Era proverbial a sua boa disposição, a sua humildade e a sua simplicidade: raramente, mesmo já sendo prelado e bispo, trajava de outra forma que não fosse uma simples batina preta, como qualquer padre, sem outro distintivo do que a cruz peitoral e um muito discreto e simples anel episcopal. Era tratado por padre por todos os fiéis da prelatura, dispensando outras fórmulas mais cerimoniosas mas menos familiares. Numa ocasião em que padeceu uma grave insuficiência cardíaca, disse a D. Álvaro que era chegada a hora de o substituir, como vigário-geral, por alguém mais válido, numa atitude de grande desprendimento e humildade.

Numa das suas últimas vindas a Portugal, tive ocasião de jantar com ele e, depois, participar numa muito amena reunião familiar. Sabendo do seu bom humor, enquanto lhe oferecia uma pagela com uma oração que compus para os surfistas, perguntei-lhe se praticava esse desporto, tão popular entre os jovens. Já octogenário, riu-se do meu atrevimento, ao mesmo tempo que me respondeu: Surf, só à terça-feira!

Já neste ano recebi uma sua carta pessoal, muito carinhosa, a propósito de uma minha doença e consequente internamento hospitalar. Sempre que morria algum dos mais velhos fiéis da prelatura, fazia também questão de escrever uma carta para as pessoas da Obra nesse país, consolando-as no seu luto. Todos os meses, também neste último do ano que foi também o último da sua vida, mandava uma carta-circular, não só para as pessoas do Opus Dei mas também para os cooperadores e amigos, em que nunca faltava alguma citação do magistério recente do Santo Padre, nem o pedido de orações pelo Papa Francisco, por toda a Igreja, pela Obra e, em especial, pelos mais necessitados.

Os primeiros cristãos chamavam dia de natal à data da morte, porque é o momento do nascimento para a vida eterna. Muito embora, humanamente, esta hora seja de tristeza e saudade, espiritualmente é de grande felicidade, na filial esperança de que aquela tão humana, feliz e santa ‘trindade’ – S. Josemaria, o Beato Álvaro e D. Xavier – já se tenha reencontrado junto da trindade da terra – Jesus, Maria e José – e da Santíssima Trindade. Laus Deo!

Padre Gonçalo Portocarerro, Observador 




terça-feira, 13 de dezembro de 2016

A Letter on Vulnerability and Fear of Love

Dear friend,


You have told me a great deal. I am sorry for your pain and I hope you can turn that suffering into something beautiful, for you and I both know how much goodness can come from one’s pain.

I understand your fear of being vulnerable again; of giving someone the power to hurt you again. You should not be afraid of letting someone love you. Yes, there will be pain, for love and pain go hand in hand, and the people that you love the most are the people that will hurt you the most, as well as the people that love you the most are the people you will hurt the most.

“There is no safe investment. To love at all is to be vulnerable. Love anything and your heart will be wrung and possibly broken. If you want to make sure of keeping it intact you must give it to no one, not even an animal. Wrap it carefully round with hobbies and little luxuries; avoid all entanglements. Lock it up safe in the casket or coffin of your selfishness. But in that casket, safe, dark, motionless, airless, it will change. It will not be broken; it will become unbreakable, impenetrable, irredeemable. To love is to be vulnerable.” CS Lewis

You say he is very special, that he is kind and generous, with a forgiving heart and a great desire to love. My friend, if any man deserves a chance to love you, that man seems to be him. Open your heart to him, put down those walls you’ve built around your heart. Love has hurt you once and love will heal you again.

You ask me what happens if he hurts you too. My answer to you is: he will hurt you, no doubt about that. The question you should be asking is: Is he worthy of your suffering?

You tell me you love him but you can’t trust him. Make no mistake my dear. “Love is not love until it's vulnerable” (Theodore Roethke). You may like him very much, but until you dismantle those barriers, you are closing your door to love. What is worse, you are denying someone the love he deserves. You were made to be a gift of yourself to others. I think the only way to get over your past wounds is by becoming a gift to him, instead of focusing on your pain, try to focus on his well-being. Do not spend much time thinking about yourself, for love is self-giving, not self-seeking.

Finally, it seems that God has put that person into your life right now. I will leave you these words of Saint John Paul II for you to meditate on:

“God wants to give another person to you” means that God wants to entrust that other person to you. And to entrust means that God believes in you, trusts that you are capable of receiving the gift, that you are capable of embracing it with your heart, that you have the capacity to respond to it with a gift of yourself.

Know of my prayers for you.
Your faithful friend,


A.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Nada de novo no "mundo dos artistas"


 "(...) E, de acordo com o que Bernardo Bertolucci admitiu numa entrevista em 2013, não estava no guião. Aliás, a forma como a cena desenrolou não foi consentida por Maria Schneider — atriz que viria a entrar numa profunda depressão depois do filme e morreu de cancro em 2011. O realizador de “O último Tango em Paris” afirmou que queria que a atriz “sentisse a humilhação e a raiva”, em vez de a representar. (...) Na mesma entrevista, a atriz afirmou que “se sentiu humilhada e um bocado violada” por Marlon Brando e por Bertolucci. “Depois da cena, o Marlon não me veio consolar ou pedir desculpa. Felizmente, foi só um ato”, disse. Depois de O Último Tango em Paris, a atriz francesa nunca mais apareceu nua em nenhum dos filmes em que entrou. (...)"



domingo, 20 de novembro de 2016

A propósito do dia de hoje*, a propósito das eleições, a propósito da democracia...



(*dia de Cristo Rei)

selfishness

Crash! by Werner Knaupp
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Há cerca de dois meses estava em casa de um grande amigo meu, um homem de fé, cristão (não católico) e, por curiosidade, perguntava-lhe acerca da fé e da religião dele, como encaravam Cristo, os Santos, católicos, judeus, etc. Às tantas, a meio da conversa confessei-lhe: “Já tive Fé, já soube o que é tê-la e ter esse conforto na Fé que tu tens. E pergunto-me muitas vezes como a perdi, não faço ideia” e ainda eu não tinha acabado responde-me ele: “Não sabes como a perdeste? Não é óbvio? Perdeste-a porque não a praticaste”
Meu, aquilo bateu-me. Poucas vezes nesta minha não tão curta vida ouvi tanta sabedoria numa coisa tão simples. Porque é assim em tudo, rigorosamente tudo.
Como perdemos a paixão pelos/as parceiros/as que escolhemos? Não praticamos essa paixão. Como lhes perdemos o amor? Não o praticamos. Como perdemos amizades? Não as praticamos.
No meio disto, há esta coisa muito new age do direito a sermos felizes, nada mais interessa, “eu quero ser feliz”, “eu tenho o direito a ser feliz”, eu, eu, eu, eu isto, eu aquilo e no meio, perdemos completamente a noção do que é importante e do que nos faz realmente felizes. Que não é mais que isto: praticar a paixão, praticar o amor, praticar as amizades, praticá-las sempre. Isto implica muito mais que o eu, eu, eu, eu.
Bem sei que falar é fácil e ainda por cima não sou exemplo de coisa nenhuma. Mas aquela afirmação deste meu amigo sobre a fé, fez mais pela minha visão do Mundo e pela noção do que é a felicidade verdadeira (que não é um estado, são momentos, a felicidade como estado não existe) do que os milhares, sim milhares, de livros que já li e que todas as experiências porque passei.
Por isso, não me venham com merdas, lembrem-se da epifania do Kevin Spacey em A Beleza Americana quando tem a miúda, amiga da filha, nua na cama. E deixem-se de merdas de ir à procura da felicidade noutro sítio diferente daquele em que vocês estão. Aí onde vocês estão exactamente agora, quando lêem isto, vocês praticam o que vos faz felizes, a paixão que já conheceram, o amor que já tiveram por quem anda por aí à vossa volta? Aposto que não. E nem dais conta e eu idem. Foda-se lá a burrice.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

E se o buraco no Japão tivesse acontecido em Lisboa...


Parece que no Japão havia um super, mega buraco na rua, daquelas cenas que se imagina só em filmes.... Mas o mais incrível, é que os Japoneses taparam o buraco em menos de 2 dias.



Vamos imaginar:  "E se o buraco no Japão tivesse acontecido em Lisboa..." (muahahahah)
Os primeiros 6 dias seriam para tratar da papelada na câmara municipal, os outros 6 dias seriam para escolher o empreiteiro, por fim passado 3 meses havia uma entidade, que pertence ao Estado, que emitia a autorização da obra. 
A obra começava, mas não demorava 2 dias, demorava 2 anos, depois haveria uma inauguração onde José Sócrates estaria presente, porque o seu Governo já previa este buraco!

Lisboa, a minha cidade, que tem autarcas apaixonados por betão.




Tradições que não falham

Bons costumes portugueses: somos óptimos a tratar bem os prisioneiros/criminosos/inimigos/Alemãs/subsidiários 
desde sempre
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 Prisioneiros alemães na I Guerra viviam nos Açores em melhores condições que a população local
 Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, acolheu um dos principais “depósitos de concentrados” alemães de Portugal na I Guerra Mundial, onde, apesar da falta de liberdade, os prisioneiros chegavam a ter melhores condições que as da população local. 13 Novembro 2016 (Lusa)

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Conclusão:



 ... A Mónica não anda de metro, nem de transportes públicos, nem de transportes... Mónica em Lisboa anda a pé, mesmo assim não anda nas horas de ponta dos turistas.

Só Há uma coisa que não Muda!


Nada se repete.......























nenhum segundo é igual ao segundo anterior






(pensamento)


QUE NADA
TE PERTURBE,
QUE NADA TE ESPANTE;
TUDO PASSA,
Só Deus
NÃO MUDA.



STA TERESA ÁVILA









Dúvidas do pôs-modernismo #6

(quando não entendes o sexo oposto é bom, porque é uma questão de ser contra a ideologia do genero)

Quando a Gillette oferece um boneco, como brinde, aos seus clientes, penso que um é sinal, bastante evidente, da indubitável imaturidade do sexo masculino...!

#EuSeiStarWarsNãoÉParaCrianças

Misericórdia.

Talvez seja o desafio mais difícil do ser humano, mas é aquele que o aproxime mais de Deus: a Misericórdia: um amor tão profundo, uma compaixão integra, sem egoísmo, generoso, sem receber nada em troca, grande e completo.
O mundo não acredita na Misericórdia, por isso mais do que nunca o mundo necessitou tanto da Misericordiosa.
Neste domingo, dia 20 dia do Cristo Rei, acaba o Jubileu do Ano Santo da Misericórdia, decretado pelo Papa Francisco. 
Faltam 4 dias, mas durante 4 dias ainda se pode fazer muitas coisas... fica aqui a sugestão:

As obras de Misericórdias são \\14// (\\7// Espirituais e \\7// Corporais) _______________________________________________________

Obras de misericórdia corporais:
1) Dar de comer a quem tem fome 
2) Dar de beber a quem tem sede
3) Vestir os nus
4) Dar pousada aos peregrinos
5) Visitar os enfermos
6) Visitar os presos
7) Enterrar os mortos
Obras de misericórdia espirituais: 
1) Dar bons conselhos 
2) Ensinar os ignorantes
3) Corrigir os que erram
4) Consolar os tristes 
5) Perdoar as injúrias
6) Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo
7) Rezar a Deus por vivos e defuntos.
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(imagem tirada d'aqui)

terça-feira, 15 de novembro de 2016

“APRENDI QUE NÓS ESTAMOS AQUI PARA AMAR E SERVIR”



Dulce Frazão tem dezanove anos e uma história para contar. Está a começar o segundo ano da Licenciatura em Ciências da Comunicação, na Universidade Nova de Lisboa, tendo passado um ano da sua vida a fazer voluntariado no estrangeiro.
É alegre e decidida. Os olhos escuros e exóticos brilhavam quando se sentou na mesa do café. Durante a conversa, mostrou-se segura das suas palavras, soltando frequentemente sonoras gargalhadas enquanto revivia as experiências do último ano. A sua descontracção e expressividade não a impediram de manter, simultaneamente, uma atitude serena. Sentada à sua frente, interroguei-a sobre a viagem que realizara, com o objectivo de descobrir o impacto que tivera na sua vida.

Dulce, quando acabou o 12º ano decidiu ir um ano fazer voluntariado para o Peru e para os Camarões. O que a motivou a tomar esta decisão?

Bem, eu desde que era pequenina não sabia que curso ia escolher, nem que rumo a minha vida ia tomar. Por isso, achei que fazer esta viagem seria uma óptima maneira de me conhecer melhor.

Qual foi a reacção dos seus pais quando lhes disse que queria ir um ano para fora?
Os meus pais receberam demasiado bem (risos). Foram espectaculares!

Foi sozinha?
Sim. Completamente sozinha mas a confiar imenso nas associações que me iam receber no outro lado do mundo.

Que associações eram?
No Peru foi o instituto Condoray, que é um instituto para formação profissional da mulher. Nos Camarões estive com a APF, Association Pour La Promotion De La Femme, que organiza imensos cursos de empreendorismo. Estas associações são óptimas, pois apoiam muito as mulheres de lá, para que possam viver bem a sua vida e aprendam a geri-la.

Como confiava tanto em associações que não conhecia?
Não conhecia mas identificava-me com os valores e isso dava me muita segurança. Não iria com uma associação que nunca tivesse ouvido falar na minha vida sem recomendação nenhuma. Tinham sido recomendadas.

Quando chegou lá, ao aeroporto do Peru, o que é que sentiu? Como foi recebida?
No Peru fui acolhida por uma família portuguesa, uma semana antes de ir viver para a residência porque a minha mãe achou que ia ser um choque muito grande para mim (risos) Comecei a aprender a falar espanhol porque eu não sabia nada. Foi óptimo para poder descansar e adaptar-me.
Quando efectivamente fiz a aterragem não foi no aeroporto às 5 da manhã quando cheguei pela primeira vez ao Peru. Quando cheguei à aldeia, à residência de Condoray é que foi a minha verdadeira aterragem! (risos) Até lá, não estava muito bem consciencializada ainda do que me esperava. Foi impactante. Era tudo em espanhol, havia coisas que não percebia e a barreira da língua faz imensa diferença mas pronto, passado um mês já estava tudo bem.

Conseguiu adaptar-se à língua?
Sim é muito fácil quando se está a contactar com a língua o dia inteiro, sempre a ouvir. Eu perguntava tudo!

No Peru que tipo de voluntariado fazia?
De manhã trabalhava na residência. Fiquei na parte da cozinha. Lavava pratos, descascava batatas… Isso ajudava-me a manter os custos da estadia lá. Depois era o almoço e à tarde ia fazer promoção rural.
No início, quando comecei, ia às aldeias e tinha uns planos de actividades para os miúdos, simples e pouco estruturados. Só quando os comecei a conhecer melhor é que percebi quão preciosas eram essas horas que passava com eles para dar o máximo de mim e realizar atividades que eu considerasse boas para eles crescerem.  Se calhar não vamos mudar o mundo mas podemos fazer uma pequena diferença…

Normalmente eram crianças com poucos recursos económicos?
Sim eram pobres. Eu não sabia disto mas depois disseram-me que à medida que fiquei lá mais tempo, ia trocando para aldeias sempre mais pobres. Havia miúdos descalços, só com a mãe porque o pai os tinha abandonado, outros viviam com a avó… Algumas realidades eram um bocado duras. Sim, eram pobres. Todos. Alguns iam à escola e notava-se que os que eram mais interessados e gostavam de ler eram mais despachados naqueles jogos que nós fazíamos. Mas sabiam pouquíssimo de história e de geografia. Alguns nem sequer queriam saber. Tinham idades muito diferentes, dos 3 aos 12 anos.

Todos no mesmo grupo?
Sim.

E nos Camarões? Como era?
Nos Camarões era completamente diferente. Eu também participei num programa de voluntariado, se bem que não foi logo desde o início. Quando cheguei, sabia que a residência tinha sido instalada numa casa nova, que estavam a ter imensas obras e que eu ia ajudar no que fosse preciso.

Então ficou lá a viver?
Sim, fiquei a viver num centro para universitárias em Yaoundé. No início eu ajudava no que fosse preciso, desde catalogar a biblioteca toda e pôr os livros na base de dados a limpar.

O que é que notou em Yaoundé a nível social? Nota-se à distância as dificuldades que as pessoas passam?
Não é assim tão visível porque a maior parte dos miúdos vai a escola e vêm-se imensos, muito mais do que na Europa, todos fardados. É um costume óptimo. Nas aldeias é que se vem mais crianças na rua a brincar ou a ajudar os pais.
O povo camurenês é muito forte. Não são nada de se andar a queixar, de cabeça baixa. Podem ter um problema mas andam sempre de queixo erguido, com compostura, a rir e a fazer piadas sobre as desgraças da vida. É mesmo impressionante. Claro que eles sofrem e não escondem o sofrimento, na medida em que não fingem que não sofrem, mas também não andam a chorar pelos cantos.

Que aconselharia a alguém que estivesse a pensar embarcar numa aventura destas?
Aconselharia a ir com um plano definido e concreto do que quer fazer, de como quer ajudar e como é que quer ser útil. Mas mais importante que esse plano, é ir com uma atitude de completa disponibilidade. Isso é fantástico porque já que estamos noutro pais para ajudar, não temos nada que nos prenda para não aceitar tudo o que nos peçam.

Se tivesse que escolher uma experiência deste ano, qual é que seria a mais marcante para si?
Um projecto que fizemos durante dois meses, que se chamava “Mulheres Empreendedoras”. Eu e outras universitárias recebíamos uma formação relacionada principalmente com gestão da casa e assim, e depois cada uma, encontrava dez mães numa aldeia para ajudar com essa formação. Eu estive com uma mãe que era costureira, outra que trabalhava nos campos, outra que guardava porcos… Íamos ver se estava tudo bem e ajudávamos nas contas que fosse preciso. Foi o mais interessante porque eram conversas de meia hora de forma muito pessoal. Tinha que saber bem o que queria ensinar e dizer de uma forma simples e com exemplos muito concretos que se aplicassem à vida dessa pessoa. Quando saía de lá para apanhar os táxis colectivos e as carrinhas que houvesse para voltar para casa estava sempre demasiado feliz (risos), ficava mesmo contente no fim.

Uma experiência destas pode ser muito enriquecedora se se souber aproveitar bem. Como contribuiu este ano para a sua vida? Era uma pessoa diferente antes de ir?
Acho que era mais egoísta. Mas não posso dizer que esta experiência me mudou completamente e que tudo o que eu aprendi agora aplico a cem por cento. Não, é uma luta constante. Mas aprendi que literalmente nós estamos aqui para amar e servir. Não é possível estarmos cá e o tempo da nossa vida ser para sermos bem sucedidos, para pensar na nossa carreira, na nossa vidinha, nas nossas coisas…  Logicamente é impossível. Nós não podemos ser todos servidos, não dá.  Nós estamos aqui para amar e para nos darmos.

Se tivesse que definir esse ano numa palavra, ou em poucas frases quais seriam?
Dom. Foi um ano em que recebi muito. Foi uma dádiva. Agradeço imenso os sítios onde estive, era mesmo onde devia ter estado.

Foi um presente…
Sim, é que não foi outra coisa. Não posso dizer que foi um ano em que eu mudei a vida das outras pessoas e elas mudaram a minha porque as mudanças estão sempre a acontecer. Fez-me muita confusão perceber isso, que de um dia para o outro, nós podemos desaprender. Sair daquele “ oásis” foi uma chapada na minha humildade porque imensas coisas que eu tinha aprendido, desaprendi por não estar a aplicá-las todos os dias. Agora é reaprende-las a aplica-las, sendo que a missão não é tão concreta de voluntariado mas é um “dar “diferente: o dar da família, dos amigos, dos transportes públicos, é dar mas de outra maneira…

Como é que uma pessoa pode dar-se no dia – a - dia, no meio em que se encontra?
Eu acho que é nas coisas mais pequeninas. Estar atento às pessoas que estão ao nosso lado e às pessoas por quem passamos e que estão mais próximas. É muito importante ir às periferias e ajudar mas às vezes há pessoas que estão mesmo ao nosso lado e precisam de ajuda.

Darmo-nos também pode ter a ver com fazer aquilo que temos que fazer em cada momento?
Sim sim, é essa a ideia. Estar onde devo e estar no que faço. Estar nas precisas obrigações que temos que cumprir, dos estudos e nos sítios onde passo e com as pessoas com quem estou. E estar a 150 por cento. Onde eu estou tenho que estar.

Portanto, viver muito o presente?

Sim. Porque se não estamos a viver no presente, estamos a viver no futuro ou no passado, acabamos por estar fechados. E isso não é nada bom. Se somos precisos para estarmos aqui, é para estarmos a 150 porcento. Ou tudo ou nada não é? Não é para vivermos e fazermos meias coisas ou vivermos a meias, meia vida. Não, é viver uma vida inteira e só da para viver uma vida cheia se formos cheios em cada momento. 




Maria Calderón

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Marianne

Este post é sobre Leonard Cohen, por isso chama-se Marianne
Porque nós somos quem somos graças a quem amamos.



Para aqueles que não acreditam no amor até a fim, para aqueles que andam a marcar a agenda ocidental, para aqueles que dizem que é só um papel, para aqueles que não se comprometem, para aqueles que não amam... eis Leonard Cohen, um génio da alma humana, um visionário dos sentimentos, um jogo de escuridão e de luz:

"Chegámos a um tempo em que somos tão velhos que os nossos corpos se desfazem; penso que serei o próximo, dentro em pouco. Quero que saibas que estou tão próximo de ti que, se estenderes a mão, talvez possas tocar a minha. Sabes que sempre amei a tua beleza e sabedoria, mas não preciso de discorrer sobre isso porque já sabes de tudo perfeitamente. Quero apenas desejar-te boa viagem. Adeus, velha amiga. Todo o amor, encontramo-nos no caminho"
 (Marianne Ihlen tinha 81 anos, morreu no hospital de Diakonhjemmet, em Oslo, poucas semanas depois de lhe diagnosticarem uma leucemia)




Porque só ele sabia conjugar o verbo dançar: "Dance me to the wedding now, dace me on and on"  uma homenagem aos que acreditam.
















Por fim, a obra prima do mestre: "Love is not a victory march" isto nunca foi  tão actual.



Existem homens que não morrem. Simplesmente ficam, mesmo partindo. 
Obrigada mestre.

Alguém que deve ser famoso disse uma vez: nunca desistas


Volto (desta vez espero que seja para ficar) nestes dias a vida deu-me muitas voltas, e o mundo ainda voltas maiores. 

O balde de água fria na política internacional, as minhas eleições regionais, os meus 15 dias no desemprego, quis arrumar a casa, na verdade queria arrumar a cabeça, mudei de quarto, mas os caixotes ficaram, vi as lembranças do passado (foi mesmo bom), lembrei-me daquilo que eu queria ser, estou longe de ser essa filosofia.
Não fico triste, fico sim com mais força, com mais vontade, voltei a ser ideologia, fiz as pazes com Thomas More, é que dividimos a mesma ilha da Utopia e por vezes discutimos sobre o que devia ser, mas nunca o que é.

Na vida o que, realmente, faz falta é uma cerveja à beira mar.
That's the motto: Relativiza os problemas, absolutiza a entrega, porque gosto de ser politicamente incorrecta.



quinta-feira, 27 de outubro de 2016

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Um tema que gostamos muito: a Família!!!


"Não há famílias ideais, mas há o ideal da família que não se perde e nos atrai como o cimo do monte atrai os passos do montanhista"

Um filme muito especial 
[vale a pena ver]



quarta-feira, 19 de outubro de 2016

domingo, 16 de outubro de 2016

Visão interior de Oscar Kokoschka


Prepare-se para uma viagem com o ponto de partida em território austríaco. Iremos sobrevoar por períodos conturbados da história da Europa central. 
Escolhemos, mais uma vez, os quadros mais marcantes e os que reproduziram o expressionismo da época. Para viver intensamente cada quadro, puxe uma cadeira e sente-se confortavelmente. Reservamos, para si, alguns minutos de expressão de um tempo icónico.

A história que pintamos, hoje, é de um....
Pintor irrequieto. 
Reconhecido pela mistura de cores fortes e formas, associada ao traço extravagante.



#1 Nome


Oscar Kokoschka -1886-1980


#2 ADN

Oscar nasceu em Pochlarn, perto de Viena. A sua família passou por grandes dificuldades financeiras. O seu pai era ourives e sentiu de perto, a queda do mercado de artesanato destronado pela explosão de novos produtos industriais. Os sentimentos de inquietude e instabilidade vividos no seio familiar, exerceu no pintor um espírito de reivindicação e constante renovação, desde jovem. 

#3 Enigmas

A chave artística deste pintor, que viveu num período convulso da história da Europa, foi o Expressionismo. 

Familiarizado desde de infância com o estilo barroco - austríaco, da época, passou toda essa experiência para a sua obra. Os quadros de Kokoschaka são: retratos, paisagens, cenas alegóricas, cenas urbanas e também naturezas mortas. A veia do expressionismo de Oscar desvia-se da corrente do expressionismo alemão anterior à I Guerra Mundial. É um pintor cuja arte foge aos princípios vanguardistas históricos.

O seu registo pictórico é vincado com um lado romântico. Foi difícil posicionar a arte deste artista no século XX, mas excluir da modernidade seria um erro. Os seus quadros foram incluídos na Arte Degenerada por estarem dentro dos princípios do regime nazi. As obras expressam a tensão interior do personagem. Os primeiros quadros foram bastante polémicos para altura, pela expressão convulsa que transmitiam ao público. Deixando o público bastante irritado. Os poemas e peças teatrais da sua autoria eram tratados igualmente com a mesma violência. Mas é nesta caracterização desconcertante da expressão da realidade, que imprime o papel diferenciador do legado de Oscar Kokoschka. Pois, até à data nenhum pintor teria se destacado pela ousadia de fazer uma crónica através de imagens do seu tempo, quase como uma biografia interior do seu século. O que se torna bastante enriquecedor não só pelas emoções que transmite, nas obras, como também a transmissão de dados históricos de um tempo escuro da Europa.


#4 Influências

O seu legado teve apoio de várias personalidades ligadas às artes e às ciências: arquiteto Adolf Loos, o escritor Karl Kraus e o filósofo Ludwing Wittgenstein.
Kokoschka acentuava o seu traço artístico pela transmissão  do que os seus sentidos transmitiam. Inspirou-se também nas ideias da obra de Comenius.
As suas pinturas nunca foram bem aceites pela bem-pensante burguesia vienense, por isso, viaja para Berlim com ajuda e apoio de Herwarth Wolden.

#5 Icone

Um pintor que viveu em tempos de guerra, como muitos seus contemporâneos. Por isso, as suas obras são espelhos de uma época negra e de muita instabilidade. Até à I Guerra Mundial os seus traços artísticos foram descritos pelo próprio pintor como pinturas negras, ou pintar a sujidade da alma. Com início da I Guerra Mundial é chamado para a frente Oriental, fica ferido e com uma neurose. É tratado em Dresden. Nesse período deu aulas, melhorou as suas técnicas, que fizeram aproximar-se da linha do expressionismo característico alemão.


#6 Inspirações

A habilidade do pintor austríaco era comum tanto ao usar a aguarela e o grafite, como com as canetas hidrocor e a tinta convencional. A sua principal característica foi:
~ mescla de cores fortes e formas;
~ traço extravagante , fortemente inspirado na obra de Hummer.


#7 Frase





Não ficará nenhum retrato do homem moderno, porque perdeu o rosto e está a voltar para a selva.







#9 Últimos anos

Viaja por toda Europa. Mas regressa à cidade que o viu nascer e onde se formou. Em Viena onde se compromete com a Câmara Socialista conhecida por Viena vermelha. Kokoschka foi contra ao nazismo tendo sido obrigado a fugir para Londres. Vende e dá muitas das suas obras a causas humanitárias e cria cartazes incentivando a caridade contra a fome. O lendário cartaz - Cristo ajuda as crianças famintas - pendurados nas estações de metro de Londres. Um cartaz lindíssimo e uma ideia de revolucionar os principios básicos no seio de uma sociedade corrompida. Nonagenário morre na Suiça, depois de sair de Londres.


#10 Obra

1 legado de quase 1 século absorvido por pintura decorativa e cores fortes. Ora veja:



Crianças a Brincar - 1909
Pablo Casals - 1954

Amesterdão -1925

Joseph de Montesquioi-Fazensac - 1910

Ovo vermelho -1940-1941
Caricaturas de Hitler e Mussolini

A Tempestade - 1913

O poder da Música -1920