domingo, 31 de maio de 2015

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Eliminação de inscrição em território nacional

O outro dia recebi uma carta cujo assunto era:

"Eliminação de inscrição em território nacional"

Fiz cara de quem acabou de comer um limão daqueles bem amargos e nem quis ler o resto. Deixei a carta aberta em cima da cama.

Já ando há uns tempos para vir aqui contar isto. Aproveitei o "Volto já" para ir pensando na melhor forma. É que podia simplesmente dizer:

Conheci uma rapariga, a V, que trabalha em Barcelona há 7 anos. E está aqui a juntar dinheiro para construir uma casa no Equador. 

Mas essa não era a melhor forma. 

A V não está simplesmente em Barcelona há 7 anos. Está há 7 anos a 9.330,92 km de casa, a cerca de 3.000€ de casa. Há 7 anos que não pode simplesmente ir-a-casa-porque-vai-ao-casamento-da-amiga. Há 7 anos que a vida lá continua: os aniversários, os casamentos, os batizados, os funerais, as novidades, as festas. 

Com ela relembrei que há decisões mais difíceis na vida do que escolher um conjunto de lençóis no IKEA. 

Está há 7 anos a "construir" a casa no Equador. 

"Os primeiros tempos são os mais difíceis. Mas logo de habituas e depois não queres voltar"

A carta continua por ler algures no meu quarto. Não, eu não quero "eliminar a minha inscrição em território nacional". 

Prefiro antes "construir" a "minha casa".






Enquanto isso...


Back to the future

 
 
É sempre bom arrumar a casa.
Desta vez trazemos algumas novidades e é mais do que o formato, o blog tem novas caras: a Andreia Frazão CEO da empresa Happy Closet, agora não terá desculpas para ter a casa desarrumada e também teremos o prazer de apresentar algumas avós que carinhosamente enviaram os seus testemunhos para o dossier do nosso arquivo: "Importância de ser avô".
Para si teremos a frase do dia: pequenos lemas diários que podem inspirar a sua família! Prometemos trazer mais alegrias, quando decidir na pausa do café espreitar-nos pelo smartphone.
Agora também temos uma nova página do facebook... já meteu like? Clique AQUI.
Não prometemos ser politicamente correctas, peço desculpa. Nem estaremos sempre de acordo com as novelas da TVI, não acreditamos na igualdade entre os homens e muitos menos na igualdade entre os homens e as mulheres. Nem acreditamos no novo acordo ortográfico em contrapartida estamos com esperança que o desemprego diminua, até lá prometemos ter  imigrantes a desabafar no blog. Vamos falar de livros, cinema, de fotografia e de pintura. Para nós a moda é mais do que a roupa e a roupa é mais do que moda. E normalmente a nossa moda é estar fora da moda.
Qualquer desagrave ou contentamento mande mail: ou simplesmente dê a sua opinião: oteucoracao@gmail.com
A morada é no coração de cada um. inHEart o seu blog.
 
 

sexta-feira, 22 de maio de 2015

A pior parte é voltar. 
Fazer tudo outra vez pela última vez. Fazer as malas já nem faz parte do cenário de tão breve que é a visita. 

Responder mil vezes à pergunta:
"E agora, quando voltas?
O que é que isso interessa? Estou aqui agora. E se disser que não volto?

A pior parte é voltar.
Quando já estava habituada à presença deles, às conversas, às discussões, chega a hora de dizer adeus outra vez. 

"E agora, quando voltas?

A pior parte é voltar.
No aeroporto metem as pessoas num autocarro onde quase não há espaço para o conjunto pessoa-mais-mala-de-mão. 

Eram 6 da manhã de uma segunda-feira. Pela roupa e falta de acessórios turísticos imagino que a grande maioria também levava a sua história para 10000 km de distância.   

Nestas alturas torna-se irónica a expressão "o tempo voa".

A pior parte é voltar. Evitar à força as lágrimas que não são para aqui chamadas. Pensar na casa nova, na adrenalina que o meu trabalho me dá, no porque de ficar triste se foi aqui que não me quiseram?

A melhor parte é aterrar. Voltar a enamorar-me pela língua, pelas ruas, retomar as minhas rotinas. E lembrar-me que na sexta-feira saio as 15h.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Alguém já se lembrava

(eu sei estamos fechadas para obras mas tenho mesmo de vir partilhar)

alguém já se lembrava de (por favor) abrir uma Padaria Portuguesa em Espanha?

De preferência de baixo do meu trabalho, ok? 
Prometo não falhar (muito) à operaçao-fato-de-banho-2015.


VOLTAMOS JÁ: o blog vai ter uma nova cara com novos convidados. já esta semana o novo inHEart.

 

terça-feira, 19 de maio de 2015

[Vir]tuous Friend, [Vir]tuous Lover

Maybe he’s quiet, maybe he’s loud. Introverted or extroverted, gentle or tough, tall or short, bookish or mountain-man. Maybe he’s thoughtful, maybe he’s brash. Right-brain or left-brain, sure of himself or carrying hurts, little bit lazy or a little bit uptight, knows Brahms backward and forward or listens to Justin Timberlake on long drives. Maybe he smokes. Maybe he runs many miles. Maybe he swears like a sailor or has impeccable manners, asks too many questions or asks hardly any questions, has lots of experience – good and bad, or has little experience – good or bad. Maybe he has a mind like a steel-trap or maybe he struggles to remember details. Musical or mathematical, pensive or enthusiastic, irreverent or composed, laughs at dry humor or delights in slapstick, comes from a divided home or has never known familial strife, fit in with the jocks or never fit in well anywhere. Maybe he’s full of anxious energy, ready for adventure, or happy to sit and do nothing. Maybe he’s great with computers and technology or maybe he’s the first one to stack the wood. Maybe he’s a fine listener or maybe he’s good at keeping a conversation afloat. Maybe he teases a little too much or maybe he takes himself and the world a bit too seriously. Maybe he lays his days out like clockwork or maybe his approach is a bit different every day.
I look at the above attributes, strengths, quirks, and weaknesses and I shrug.
Those things are not essential. They’re windows through which I’ll come to know him and love him, and I have preferences: but they’re not what make the man.
The one thing I unwaveringly hope for is this: he’s trying to be a man of virtue – whether I’m in his life or not. Whether I’m ever in it or not; whether I’m there to see it or not.
Does he have curly hair, an incredible sense of humor, matchless wit and an enthusiasm for philosophy? Is he a messy eater? Does he agree with me that swiss cheese is disgusting, and that it would be worth the effort to tame a squirrel someday and maybe name it Snufkin? Does he sometimes state his opinions too forcefully?
Don’t know. Don’t need to know right now. What I want to know is simply: is he trying to – striving to – be a man of virtue?
Does he know how to fish, has he been to Asia, does he write beautiful songs, is he impatient when untangling Christmas lights, is vulnerability difficult for him, is he hyper-sensitive, has he fallen with other women in his past, is he allergic to bananas, does he look handsome in a V-neck, did he stutter when he was a kid, is he intuitive, was he ever a pothead, can he do the scissor-kick, is he all good with his Dad, is he smarter than I, can he cook?

Don’t know, don’t need to know right now. I want to know: is he trying – striving – to be a man of virtue?
See, I want to be friends with this man. Friends remain after honeymoons become memories. Friends are not to be bothered by idealized images set upon pedestals: they prefer the real thing. They love the real thing – not only that, they like the real thing. Lawd knows I am no man’s “dream woman” – I will never match up with a list of perfect traits: spend a little time with me and you’ll discover that. I’m not an ethereal songbird who only ever floats around pondering the best way to imbue all of my interactions with the personalistic norm. I’ve got “fatal flaws to call my own”, and I’m striving to meet God in those places of emptiness, caverns he wants to fill and make like unto himself. It is this continual invasion of God that makes me crave true friendship – companionship – ‘being-with.’ And I know that only in a virtuous man will I find a true friend, because only the virtuous man or woman can experience true friendship.
And so I simply want to know: is he striving to be a man of virtue? Everything else follows from that. I’m okay with being surprised: the whole “make a list describing your ideal guy, right down to which side of his head he parts his hair on” thing always seemed a little one-dimensional to me. Makes me think of my favorite scene from Groundhog day, where Bill Murray’s character, Phil, asks the girl he’s interested in “what she wants”: to which she readily replies with a list of highly desirable – but somewhat idealized – traits that she’s clearly compiled over years of dream-casting: romantic, courageous, hilariously funny, good body, the humility of a saint (doesn’t know how good-looking he is), kind, sensitive, gentle, not afraid to cry in front of her, likes animals, plays an instrument, changes diapers like a pro; and finally, he loves his mother. Phil listens to all of this patiently, and then asks simply, “This is a man we’re talking about?”
What good are all of the most appealing traits if they’re not based in a virtuous heart? Where’s the beauty in a man’s muscled, powerful body if his soul can’t match its stride? Those long lists of traits are just the raw material of love. A person’s quirks and features are a wonderful part of the whole – but they’re not what make him good. What makes him good is his desire to conform his life to the inner-life of God: viz., his virtue. There is a harmony that exists amongst virtuous souls that encompasses, yet goes far deeper than, compatibility.
Is he a man of virtue? Because if he is – I will be in good hands. Tough hands, scarred hands, quiet hands, musical hands, etc. No matter. They’ll be good ones.
Lord, give that man the grace to keep trying. Who-ever he is, whatever his idiosyncrasies and gifts are: give him the grace tostrive.
Try, my man. Strive, my friend.
I’m trying and striving, too.

Como é que caiu?

- Quando eu estava quase a marcar um ponto, houve um adversário que veio do meu lado direito e que me agarrou pela cintura, desequilibrando-me. Depois houve outro que veio de frente e empurrou-me para trás. Então foi aí que eu caí e bati com a cabeça no chão.

- Era relva?

- Não, era dentro do pavilhão - ui! - o chão era muito duro.

- Em algum momento perdeu a consciência?

- Não. Só perdi a audição por uns momentos.

- Uns momentos… quanto? Uns segundos, uns minutos?

- Doutora, cerca de um segundo.

- Muito bem… E agora ouve bem?

- Não sei. Não sei se a senhora está a falar baixinho ou se sou eu que estou a ouvir mal.

Houve traumatismo craniano com perda de consciência. Fiz-lhe um exame objectivo com exame neurológico sumário e pedi-lhe uma TC crânio-encefálica. Liguei para o bip da neurocirurgia para depois me verem as imagens  da TC. Mais tarde, a neurocirurgia ligou-me de volta. Diz que está fino e que, por eles, tem alta.

Mas aquela imagem à minha frente... essa via-a eu bem. Via tão bem, que isto sucedeu em abril de 2014 e eu ainda a vejo como se tivesse sido ontem. Vejo-o sentado naquele gabinete do hospital de santa maria quase como o vejo sentado à mesa da minha sala: um calmeirão de 15 anos na urgência pediátrica. Entre o bebé da bronquiolite e a miúda da varicela, veio este mostrar-me como a brutidão de um miúdo de 90kg, na arena de um jogo de rugby, se pode conjugar com a exactidão de um segundo.

- Doutora, cerca de um segundo.





segunda-feira, 18 de maio de 2015

coisas boas.

 
Não é novidade nenhuma que eu gosto de blogs, mas sobretudo gosto dos blogs das minhas amigas.
Tenho o privilégio nada meu de poder dizer que a Ana e a Teresa começaram a sua vida de bloggers aqui no HEart, mas não tardou que voassem para outras paragens, apesar de nunca deixarem o nosso heart: Claro que estávamos à espera, e ficamos contentes, elas têm um grande talento natural, conseguem escrever tão bem o que sentem ao ponto de nós conseguirmos sentir tão bem o que escrevem.
Fiquei tão feliz quando soube que a Ana, recém casada e à espera do seu primeiro baby, ainda por cima uma gestora nada desocupada, recomeçou nos 7 Graus Negativos (finalmente de volta!!!) afinal de contas a Ana é assim mesmo arranja tempo para tudo e para todos, por isso é tão boa amiga, tão boa mulher e já é tão boa mãe.
Mas confesso que fiquei ainda mais feliz quando soube que a Ana e a Teresa irmãs gémeas ambas recém casadas e ambas grávidas, decidiram abrir uma nova casa: Monozigo Sisters - Twin Sisters. Our lives and loves.
Nada melhor para eu quebrar esta distância do oceano, que separa mas não divide esta grande amizade, pois quando leio parece mesmo que estou a ouvir aqueles conselhos da Teresa (ai que saudades!!!)  que só ela sabia dar tão bem, durante os longos almoços numa esplanada qualquer n' avenida da Liberdade, que bom que ela voltou a escrever, pois agora é como entrasse na minha casa.
T&A são sem duvida uma lufada de ar fresco na blogosfera, mas também uma lufada de ar fresco na sociedade, duas gémeas bonitas, inteligentes, novas, casadas e mães, reconhecidas trabalhadoras (no direito e na gestão) e sobretudo grandes amigas, são um exemplo de generosidade e de como a família está na moda, e como é bom estar na moda.
É mais do que certo que vamos estar atentas os seus conselhos, os seus desabafos e as suas visões.
Obrigada pelo (re)começo.
 
 
 

(ouvindo do café #9)

"Agora sim... José Sócrates será um verdadeiro sucesso nas livrarias"
 
 

(ouvindo no café #8)




"Ainda dizem que nós os portuguese somos um povo que amorfa perante a crise, mas basta o Benfica ser campeão que há gente a enfrentar a autoridade de tal forma que até mete inveja aos gregos!"

 

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Porque hoje é o dia Internacional da Família | 10 reflexões do Papa Francisco

 
 
1. “É na família onde aprendemos a abrir-nos aos outros, a
crescer em liberdade e em paz." Audiência Geral, 18 de fevereiro de 2015

2. “E esta é a grande missão da família: arranjar lugar para
Jesus que vem, receber Jesus na família, na pessoa dos filhos, do marido, da
esposa, dos avós, porque Jesus está aí." Audiência Geral, 17 de dezembro de 2014
 
 
3. “Sim, ser mãe não significa só trazer um filho ao mundo, mas é também uma opção de vida: o que é que uma mãe escolhe? Qual é a opção de vida de uma mãe? A opção de vida de uma mãe é a opção de dar vida. E isto é grande, isto é belo." Audiência Geral, 7 de janeiro de 2015.
 
4. “As mães são o antídoto mais forte contra a difusão do individualismo egoísta. "Indivíduo" quer dizer "que não pode ser dividido". As mães, pelo contrário, "dividem-se", a partir do momento em que acolhem um filho para o dar ao mundo e fazê-lo crescer". Audiência Geral, 7 de janeiro de 2015.
 
 
5. “Para ser um bom pai, o mais importante é estar presente na família, partilhar as alegrias e as penas com a mulher, acompanhar os filhos à medida que vão crescendo." Audiência Geral, 4 de fevereiro de 2015.
 
6. “O pai procura ensinar ao filho aquilo que ele ainda não sabe, corrigir os erros que ainda não vê, orientar o seu coração, protegê-lo no desânimo e na dificuldade. Tudo isso com proximidade, com doçura e com uma firmeza que não humilhe." Audiência Geral. 4 de fevereiro de 2015.
 
7. “Ser filhos permite-nos descobrir a dimensão gratuita do amor, de ser amados antes de nada ter feito para o merecer, antes de saber falar ou pensar e, mesmo, antes de vir ao mundo. É uma experiência fundamental para conhecer o amor de Deus." Audiência Geral, 10 de fevereiro de 2015.
 
 
8. “Uma sociedade que descarta os seus idosos é uma sociedade sem dignidade, perde as suas raízes e vigor; uma sociedade que não se rodeia de filhos, que os considera um problema, um peso, não tem futuro." Audiência Geral, 10 de fevereiro de 2015.
 
9. “Que belo é o alento que o idoso consegue transmitir ao jovem em busca do sentido da fé e da vida! É verdadeiramente a missão dos avós, a vocação dos idosos. As palavras dos avós têm algo de especial para os jovens. E eles sabem-no." Audiência General, 11 de março de 2015.
 
10. “As crianças recordam-nos outra coisa bela; recordam-nos que somos sempre filhos. Mesmo se nos convertemos em adultos ou idosos, mesmo se nos convertemos em pais, se ocupamos um lugar de responsabilidade, por baixo de tudo isso permanece a identidade de filho. Todos somos filhos. E isso reconduz-nos sempre ao facto de que a vida não fomos nós que a demos a nós próprios, mas que a recebemos." Audiência General, 18 de março de 2015.
 
 
(Imagens e texto D'AQUI)
 

quinta-feira, 14 de maio de 2015

A importância de se chamar Álvaro

Outro dia uma amiga grávida dizia entre nós as opções do nome para o seu filho.
Alguém, ou melhor muitos responderam prontamente: Álvaro.
Porquê Álvaro?
 
 

O MUNDO PARA ALÉM DOS ECRÃS: 19 conselhos para deixar o vício do telemóvel


Confesso que me faz muita, muita confusão jantar com alguém que logo quando chega à mesa, inconscientemente,  mete o telemóvel ao lado do prato, como fosse um acrescento dos talheres (temos o da entrada, depois do prato principal, em cima da sobremesa e por fim um telemóvel), penso sempre que devo ser uma companhia  muitíssimo aborrecida.
Contudo muitas vezes também dou por mim agarrada ao telemóvel, ou porque tenho que falar com alguém, mas não é assim tão urgente, ou porque preciso de ler os mails, mas podia ficar para amanhã, ou porque era só mesmo para mandar uma mensagem, mas acabo por espreitar o facebook (e o blog) ou porque tenho grupos do whatsaap importantes, mas com muita gente activa....
O artigo original vem  D'AQUI. Mas é um boa terapia, uma terapia humana para sermos mais humanos e sobretudo mais família, vale a pena ler:
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Já não cumprimenta os vizinhos no elevador? O seu chefe já o apanhou por diversas vezes a jogar Candy Crash? Manda mais beijos à sua cara-metade pelo WhatsApp do que pessoalmente? Então, não há dúvidas, está viciado no seu telemóvel.
Segundo o Tlife Guru existe uma diferença entre a necessidade de usar o telemóvel e o facto de se ser viciado no mesmo. Por isso, é necessário tomar uma medida para acabar com esse comportamento obsessivo e lembrar-se de que existe um mundo para lá das tecnologias.
As medidas que se seguem fazem parte de um plano que o ajudará a resolver o problema.
1. Desligue o telemóvel uma hora ou duas antes de se ir deitar. Assim consegue aproveitar para conversar com o seu parceiro, a sua família ou companheiros de casa.
2. De manhã, assim que acorde, evite ligar o telemóvel. Acorde e aproveite os primeiros minutos da manhã sem estar agarrada a um aparelho.
3. Esqueça-se do carregador de vez em quando. Desta forma, quando ficar sem bateria não tem mesmo hipótese de o ligar.
4. Silencie as notificações do telemóvel, incluindo a vibração. Assim evita, inclusivamente, ser acordada durante a noite.
5. Use outros dispositivos. Se gosta de música use um leitor de mp3. Tudo menos o telemóvel.
6. Deixe-o num local fixo. Sempre longe do seu campo visual para não cair em tentação.
7. Peça ajuda aos seus pais ou amigos. Peça-lhes que lhe escondam o telemóvel de vez em quando ou que o coloquem em silêncio sem que dê conta.
8. Não o leve para a casa de banho. As idas à casa de banho podem ser um bom momento para pôr a leitura em dia, seja ler uma revista, os rótulos das embalagens de shampoo ou o catálogo do supermercado.
9. Deixe-o em casa. Sempre que for fazer atividades ao ar livre, evite levar o telemóvel consigo.
10. Desative o WhatsApp. É uma das aplicações que mais tempo lhe rouba. Desligue-a e consulte o que se passou apenas uma vez ao dia.
11. Cuidado no carro. Deixe o telemóvel na mala e disfrute da rádio.
12. Veja televisão. Se não é fã opte por ler um livro.
13. Frequente terapias de grupo. Pode parecer uma medida excessiva mas vai ver que há muito mais pessoas que sofrem do mesmo problema.
14. Use o seu telemóvel velho. Aquele 'tijolo' sem acesso à internet e sem câmara fotográfica. Além da pouca utilidade que tem, de certo que até terá vergonha de andar a exibi-lo frequentemente.
15. Encontre-se com amigos e combinem que durante o tempo em que estão juntos ninguém pega no telemóvel. 
16. Decore pelo menos 15 números de telemóvel.
17. Em vez de fazer compras online, visite as lojas.
18. O que fazer se tem um telemóvel do trabalho? Comprometa-se a ir consultar o e-mail apenas de hora a hora, por exemplo. E desligue as aplicações para comunicar internamente na empresa - WhatsApp ou Skype, por exemplo - quando sair do emprego.
19. Fale mais cara-a-cara. Perceba que há muito mais do que um simples ecrã de telefone. Pare de fazer publicações e perceba que o melhor 'dispositivo' com que pode interagir é mesmo o ser humano. (noticias ao minuto)

quarta-feira, 13 de maio de 2015

10 dias e 35 milhões de euros depois

Durante esta greve da TAP, ao ouvir o Sindicato dos Pilotos, fiquei com a sensação que estes tipos têm uma filosofia muito típica daqueles homens reputados na violência doméstica: "Ai se não és minha não és mais de ninguém. Agora toma lá!"
 
 

UM FUTURO MUITO PRESENTE


Os Filhos do Homem


        A produção habitual de P. D. James são os romances policiais: romances profundos, meditados, em que a noção de culpa e de possível redenção está de uma maneira ou de outra sempre presente, a par de um intrincado mistério de crime e respectiva solução.
    Desta vez, contudo, a autora envereda por um estilo diferente: o romance futurista e catastrofista, que põe à prova os seus protagonistas.
       Estamos em Inglaterra, em 2021 (o romance foi publicado em 1992, numa altura em que a data parecia bastante mais longínqua do que nos parece hoje), e há 25 anos que não nasce uma criança; não por vontade dos adultos (pelo contrário), mas porque os seres humanos se tornaram universalmente estéreis. E com esta esterilidade veio a absoluta ausência de esperança e de humanidade, com consequências terríveis na vida das pessoas: violência gratuita sobre os mais fracos, eliminação forçada dos velhos, tratamento dos animais como se fossem pessoas, e um longo e perturbador etc…
      É então que um grupo de cinco pessoas, todas com motivações diferentes, reage contra este estado de coisas e, de repente, o futuro parece abrir uma porta. Mas tais reacções são muito mal apreciadas pelos poderes constituídos, pelo que estas cinco pessoas são implacavelmente perseguidas – e é no meio, ou no fim desta perseguição que se percebe quais delas se degradaram por completo e quais mantêm ainda a capacidade de um comportamento verdadeiramente humano.

     Trata-se de um romance intenso, muito bem escrito, que faz pensar em muitos aspectos da actualidade, e que coloca o leitor perante as dramáticas consequências do egoísmo levado ao extremo.

13 de Maio

 
“Que é que Vossemecê me quer?”
Pastorinhos de Fátima
 
 

Silêncio.

"Por que é que tinhas o telemóvel desligado? Por que é que não foste ao Facebook? Por que é que nunca mais apareceste no whatsApp?"
Porque no fim de semana eu estava a tentar
ouvir o silêncio...

terça-feira, 12 de maio de 2015

Primeiro

partiu os dois ovos separadamente e depois juntou-os na mesma taça. Um e depois o outro. Lembrava-se da sua avó e era a voz dela na sua cabeça: aprende minha menina, se partes o ovo directamente para cima dos outros e esse ovo, por azar, está estragado, lá se vão todos. Então, apesar de ter sempre a terrível tentação de os partir de olhos fechados, com um golpe certeiro, de despejá-los a todos para a frigideira quente, abreviando caminho e confiando cegamente no destino, lá se controlava, sisuda. Lavava mais loiça, mas era prudente.

Deitou-lhes sal e um pingo de leite para ficarem macios. Enquanto os batia energicamente, olhou-se, de soslaio, num reflexo. A imagem devolvia-lhe a estranha sensação que sentia ao usar o avental. Sempre que cozinhava gostava de vesti-lo, não pelo medo de se enodoar, mas porque fazia parte do cenário. Porém, a cena há muito que não estava completa: aquela mulher do reflexo sentia um frio gélido nas costas. Fazia-lhe falta que o seu homem chegasse nessa hora, que a envolvesse, afagasse os cabelos e lhe acalmasse a mão enérgica dizendo-lhe, carinhosamente, quer que seja eu a fazer isso? E ela responderia que não. Era ela a bater esses ovos para ele, num acto de absoluta gratuitidade, e isso levou-a a pensar, não sabia bem porquê, que muitas mulheres, muito antes de amarem os seus homens, amam-se a si próprias. Que triste. Amam tudo o que idealizaram vir a ser um dia, onde o fundamental é sentirem-se tão queridas e desejadas, como indispensáveis. Amam o cabelo pintado de loiro com madeixas perfeitas, a manicure, as meias de vidro, o casquinho de caxemira, o sorriso estático; as revistas de decoração e a decoração da sala onde o marido está sentado a fumar cachimbo, quase que amam tanto o cheiro do cachimbo como o cheiro do bolo acabado de sair do forno; o jantar a horas certas, a lista das compras; as férias de Natal na aldeia, as férias do verão na praia e a merendeira que o homem carrega feliz pelo areal com o farnel do dia. Elas bem disfarçam, mas a verdade é que, condensando tudo isto, amam-se a si próprias de avental, sozinhas, no reflexo. Que triste. Os aventais de cozinha só tapam as mulheres à frente, porque atrás espera-se um homem que as envolva.

Pôs a mesa. Um prato e os talheres pousados num individual; um guardanapo e um copo; em cima do guardanapo, uma flor. Deixou-lhe a omelete no microondas já com a tampa de plástico por cima para não salpicar (ele esquecia-se sempre da tampa de plástico).

Antes de sair da cozinha, colou um post-it amarelo na porta do microondas onde ia escrever o mesmo de sempre: querido, tem aqui dentro o jantar feito, é só aquecer. Mas uma voz  surgiu na sua cabeça, uma voz insinuante que a fez escrever: se a solidão fosse uma casca de ovo que tu pudesses partir, o meu coração batia mais livre. No instante seguinte, ao pousar a caneta, sentiu-se traída. Amachucou o pequeno papel amarelo e atirou-o para o lixo. Podia ter muitos defeitos, mas sempre fora uma mulher prudente.


Por isso e porque já era tarde, meteu-se na cama e, em poucos minutos, adormeceu.



domingo, 10 de maio de 2015

Há dias que ficam na história da história da gente

Há dias que não se esquecem. Um deles foi o dia 26/05/2015. Talvez daqui a uns tempos me esqueça da data. Mas do dia nunca me vou esquecer.

Desde que a minha vinda ficou decidida que a minha vida sofreu uma reviravolta. 
Por esta é que não esperavas. 
Os meus dias que até então tinham uma rotina mais ou menos estabelecida foram achincalhados. 
Primeiro as burocracias.
Tem paciência, engole os sapos e deixa a senhora das finanças ficar arrogantemente feliz porque ela é percebe do assunto.
Fazer as malas.
E agora? Como é que vou levar o meu armário às costas?
Horas de sono reduzidas com festas de despedida.
Fiquei completamente mimada com tantos abraços. 

Dia 25. Dei as últimas voltas. Fechei a mala.
Percebi que a partir de agora simplificar ia ter de constar muito mais no meu vocabulário.
Fui com a mãe ao Jumbo.
Enquanto ela explorava todas as prateleiras do super-mercado eu chorava pelos corredores.
A T apareceu lá em casa para almoçar.
Habituada à confusão do costume de uma casa de família numerosa.
A caminho do aeroporto passei em Alvalade para um último adeus à S.
Desculpa, vamos ter de adiar o sonho da nossa casinha.
Bebemos uma coca-cola no parque das nações.
E a mãe obrigou-me a comer, coisa que estava difícil há vários dias. 
Na fila para o check-in reconheço ao longe três cabecinhas.
Os meus olhos enchem-se de lágrimas, não posso acreditar que se vieram despedir de mim.
Furo a fila sem pensar nem pedir desculpa.
Vai ter de me deixar passar, é que tenho ali três amigas!
Num passo lento pelo aeroporto a R dizia umas piadas. 
Por favor, vão me visitar rápido. Eu vou tentar vir muitas vezes!
E por fim o último passo. 
Aquele que marcou o primeiro passo do princípio de uma grande aventura.
A partir daquela linha já ninguém pode passar.
As lágrimas romperam quando parei e olhei para trás para dizer adeus. E desde aí só pararam quando me sentei no avião.
Finalmente aterrei.
E aqui está a minha nova casa.


sexta-feira, 8 de maio de 2015

10 Awesome Quotes from Venerable Fulton J. Sheen





“When a man loves a woman he has to become worthy of her. The higher her virtue, the more noble her character, the more devoted she is to truth, justice, goodness, the more a man has to aspire to be worthy of her”


 “Hearing nuns’ confessions is like being stoned to death with popcorn”


“We become like that which we love. If we love what is base, we become base. But if we love what is noble, we become noble”


“Who is going to save our Church? Do not look to the priests. Do not look to the Bishops. It’s up to you, the lairy to remind our priests to be priests and our Bishops to be Bishops”


“Moral principles do not depend on a majority vote. Wrong is wrong even if everybody is wrong. Right is right even if nobody is right”


“If you do not live what you believe, you will end up believing what you live.”


“You will never be happy if your happiness depends on getting solely what you want. Change your focus. Get a new center, will what God wills, and your joy no man shall take from you”


“Broken things are precious. We eat broken bread because we share in the death of our Lord and his broken life. Broken flowers give perfume. Broken incense is used in adoration. A broken ship saved Paul and many other passengers on the way to Rome. Sometimes the only way the good Lord can get into some hearts is to break them.


 “The Rosary is the best therapy for these distraught, unhappy, fearful, and frustrated souls, precisely because it involves the simultaneous use of three powers: the physical, the vocal, and the spiritual, and in that order.” 



“Judge the Catholic Church not by those who barely live by its spirit, but by the example of those who live closest to it”


"You have written and spoken well of the Lord Jesus Christ. You are a loyal son of the Church." - Saint John Paul II to Venerable Fulton J. Sheen

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Desculpe, mas eu não sou a Odete

Já passava ligeiramente da suposta hora de almoço e já conseguia ouvir a barriga a reclamar (xiu, só mais um bocadinho!). Só mais um bocadinho e decido ir ver o e-mail:
- Chegou a roupa para a primeira primeira comunhão. (entenda-se: primeira sobrinha a fazer a primeira comunhão)
- Pedido do cartão de telemóvel cancelado por falta de documentos. (sétima tentativa falhada de ter um cartão espanhol)

Nisto já não sabia se queria almoçar, se queria ir buscar a encomenda ou se queria ligar para a operadora a implorar que por favor só quero ser vossa cliente, eu pago a tempo e horas. Dois em um: decido por pés a caminho e ir pela calle abaixo buscar o kit-primeira-comunhão-que-nem-sabia-se-me-ia-servir enquanto ligo à operadora. 

Acho que se nesse dia tivesse levado uma sandes aproveitava também esse tempo e seria um três em um. 

Estava eu pronta para sair quando me ligam de um número português. Não fico indiferente ao +351 e decido atender apesar dos 0,74 cêntimos (isto porque ainda não consegui um número espanhol)

"Estou? Sim?"

Do outro lado uma voz ao fundo do túnel. Sem conseguir perceber o que me dizem continuo:

"Sim? Sim?! Estou?"

Finalmente uma resposta: "Ah Senhora Odete, fala do cabeleireiro (? nome imperceptível)"

"Peço desculpa, mas eu não sou a Senhora Odete"

"Como não é a Senhora Odete? Eu chamei-a e você repetiu várias vezes: sim, sim!"

"Eu não o estava a ouvir, peço desculpa mas de facto eu não sou a Odete"

"Desculpe mas ainda agora você respondeu sim que era a Odete!"

"Olhe não sei o que quer que lhe diga mas eu não me chamo Odete e por isso vou desligar"

(não consigo por em palavras a maneira como ele insistiu que eu era a Odete)

Uma palavra: teimosia! E nisto acho que ele não acreditou que eu não era a Odeteas chamadas continuaram. Acho que só terminaram quando esgotei o saldo a ligar para a operadora espanhola. 

Vá lá, afinal o contratempo do cartão de telemóvel serviu para me livrar de um senhor que queria à força que eu fosse a Odete.

(mesmo que fosse, neste momento não ia puder ir ao seu cabeleireiro)

terça-feira, 5 de maio de 2015

Descobri que sou o tipo de pessoa que fala sozinha enquanto está a trabalhar.

Bolas. 
Hm...Está certo. 
Não estou a perceber. 
Ai que chatice! 
Ah sim, boa.

Descobri também que o meu castelhano melhora substancialmente quando me irrito e reclamo com alguns serviços. (recentemente: saga com o cartão de telemóvel. estado: em curso)

Porque o mês de Maio é o mês da Mãe: "Uma mãe tem que ser chata. Até à hora da morte. E até depois disso: mesmo"

(clique na imagem para ler)
 
 

Marca n'agenda: À conversa com o Seleccionador Nacional Fernando Santos


Motivação e Gestão de equipas

4ª feira, 6 de Maio | 19h15 

Alameda das Linhas de Torres, nº35 Lisboa
Residência Universitária dos Álamos

Tertúlia aberta a TODOS os que queiram participar!



segunda-feira, 4 de maio de 2015

Diário de uma açoriana num fim de semana prolongado

Tão bom quando o tal feriado é uma sexta-feira, é um cheirinho de mini férias. No trabalho via-se os sorrisos logo na quinta-feira de manhã e depois do almoço já estávamos a desejar bom fim-de-semana.
Contudo veio logo a duvida: o que fazer com tanto tempo? É tão bom ter a sexta-feira como feriado, mas muito rapidamente é tão fácil desperdiçar a sexta-feira como feriado.
Queríamos  viajar, arejar do habitual, mas isto nos Açores não é assim tão fácil, não é meter-se num carro e partir pela estrada fora...
(Mas eu gosto tanto de viajar: conhecer e viver outras culturas e tradições, provar outras gastronomias, respirar outras naturezas) 
 
Diário de uma açoriana num fim de semana prolongado

Dia #1 
1 de Maio 2015 | Sexta-Feira | Angra do Heroísmo 
(dia da tempestade)
 
Pensei em acordar mais tarde, mas o temporal não deixou, não só porque a chuva batia forte na janela e mesmo assim os pássaros não deixavam de cantar alto, mas porque os aviões tinham sido desviados para a minha ilha (afinal de contas temos a base das Lajes, temos uma das maiores pistas do país) e aquela minha amiga que tinha  como destino São Miguel teve de passar a manhã na ilha Terceira, um açoriano nunca deixa ninguém sozinho, principalmente se estiver na sua ilha.
Lá fui eu com a minha mãe, atravessamos a Terceira em tempo de temporal, num meio de um nevoeiro que não nos deixa ver nada que esteja fora do carro, a chuva a batia no vidro  como quisesse entrar sem licença, e estávamos nós a caminho da Praia da Vitória.
Chegamos ao aeroporto, já sabíamos da novidade, pela primeira vez aterrou-nos uma low cost,  é irónico, mas a força da natureza foi mais forte que a força de uma economia proteccionista,  não era uma low cost para nós, os terceirence ainda não tiveram esse direito,  mas parou aqui porque precisou de nós. 
Já que estávamos na Praia decidimos almoçar por lá, a chuva e o mau tempo não detêm um insular, almoçamos na feira gastronómico  (já vos falei como os açorianos gostam de comer? E de comer bem?) a feira gastronómica são quatro semanas em que os melhores chefes do Terceira criam um menu especial nos seus restaurantes: AQUI
De volta a Angra e acompanhados sempre pela tempestade.
Á noite tínhamos o programa da associação ACM (conhecem a ACM? Vale a pena clicar AQUI) e num concerto solidário ouvimos cantorias, as cantorias ou as cantigas ao desafio fazem parte da cultura terceirense, é uma coisa mesmo nossa, daquelas coisas que nos dá aquele orgulho de ser de onde somos.
A noite acabou na Tasca das Tias (Boa Cama e Boa Mesa AQUI) em que o camarões era acompanhados pela lambreta. Gastronomia é isto.

 

 
Dia#2
2 de Maio 2015 | sábado | Angra do Heroísmo
(dia que a tempestade acalmou)
 
A minha terra é uma terra de touros e touradas.
Dia 2 de Maio era dia de Ferra da Ganadaria dos Rego Botelho, na ilha Terceiras as Ganadarias são mais fortes que os partidos ou que os clubes de futebol, aqui não se pergunta se és de esquerda ou de direita? se és do Benfica ou do Porto? aqui o que importa saber se és do Rego Botelho? Ou do José Albino? ou se és Ezequiel Rodrigues? Entre outros... e assim cria-se os amigos e assim cria-se os inimigos.
A ferra é um dia de festa, vamos para o mato, para o tentadero, numa caldeira no interior da ilha, com uma paisagem lindíssima, ainda por cima a tempestade tinha criado pequenos lagos no meio dos cerrados, misturando os diferentes tons de verde que estavam espalhados pelos montes, os bezerros corriam nas terras e atiravam-se à agua, era impossível não pensar que como são felizes estes animais (mais fotos: AQUI)
A ferra junta os homens fortes da nossa ilha, se em outros tempos por aqui havia gente que caçava baleias só com um arpão, nos dias de hoje há homens que lutam contra os touros.
Aquele cheiro a coro queimado mistura-se com o sabor da cerveja servida em jarros, botas e roupa respingadas com a lama que a força dos bezerros levanta, aqui o sol confunde a humidade que vem da terra. Os mais corajosos estão dentro do tentadero, onde não faltou mulheres, os outros limitam-se a ver de cima para baixo, talvez para não sujar a roupa, aplaudem e chamam os touros com assobios estranhos.
Não faltou o churrasco da melhor carne dos Açores, temperada pela simplicidade dos homens da terra, sal e alho, sem pretensiosismos do groumet estava ali todo o sabor da terra, e houve conversa até ao final do dia. Tradição é isto.
 
 


 
Dia#3
3 de Maio 2015 | domingo | Angra do Heroísmo
(dia que se sentiu o sol)
 
Dia da mãe, tínha combinado dar um passeio com a mãe, afinal o sol já voltou. Saímos de casa com as sapatilhas e roupa confortável, fomos beber café (ok comer um bolo para acompanhar o café, mas era o dia da mãe, dia de festa)  objectivo: começar por andar na Marina, andar até ao Porto Pipas, voltar pelo caminho novo, subir para o Relvão, ver o Monte Brasil e voltar para casa - o plano habitual.
Chegamos ao local esperado, a Baía de Angra, era impossível não reparar no mar calmo, nos reflexos de luz e naquele calor que batia nas costas.
Estavam lá uns tipos a fazer paddle, ao chegar mais perto vejo que era o meu tio M. (nos Açores é assim, quando menos esperas vês um tio um primo e um amigo, nem que seja no meio do mar que foi o caso.)
Disse-lhe adeus, com uma certa inveja, ele gritou logo "vem para o mar", estava sol mas ainda estava frio, disse que não tinha fato (no fundo sabia que para o meu Tio M. a ausência do fato não era problema, porque ele teria uma solução), gritou novamente "temos um fato para ti".... E de repente eu que tinha saído de casa para andar já estava cheia de água salgada, com um fato e no meio da Baía de Angra em cima de uma prancha (o apoio e o orgulho na amizade do Pristine Azores: AQUI). Cheguei a casa enrolada numa toalha com os pés descalços e cheios de areia, com os lábios secos do sal e o cabelo cheio de rastas do mar. Natureza é isto.
 

 
 
 
Deitei-me a ouvir a noite que a lua cheia e o céu semi-limpo me trouxeram, pensei ainda bem que nos Açores não é assim tão fácil viajar, ainda bem que não é só pegar num carro e andar, pois se assim fosse não apreciava aquilo que é nosso e o que é nosso é mesmo especial: a nossa gastronomia, a nossa tradição e a nossa natureza.
#orgulhodeseraçoriana

domingo, 3 de maio de 2015

E porque hoje é dia da mãe

Não há melhor definição de generosidade do que ser a sétima (em dez...).
Não há melhor lição de coragem do que ver que a cima de mim há seis e abaixo há mais três.

A imagem dela manteve-se intacta ao longo dos anos: o cabelo loiro fininho e os olhos de um azul quase impossível. Enrolava pequenas madeixas entre os dedos e por isso tinha sempre um rolinho de cabelo perdido. 
Acho que desde pequenina consigo distinguir o tilintar das suas pulseiras no meio de um concerto de rock. 
O tilintar dos dez corações cada um com a letra de um filho.
Tomávamos o pequeno almoço quase sempre juntas. Conhecia o meu mau humor e por isso não me dirigia muitas palavras. Punha-me o cabelo atrás da orelha e dava-me um beijinho antes de ir buscar um café. Quando voltava perguntava-me a que horas tinha aulas. 
Contrariei-a inúmeras vezes para no fim lhe dar razão. Contestei tantas coisas para no fim me querer parecer cada vez mais com ela. 
Sempre quis estudar na faculdade dela, pena que não tivesse farmácia. Mas estive lá perto quando me mudei para a cidade universitária.
E hoje, no dia da mãe, estamos a mil quilómetros de distância. E eu tenho o coração mais pequenino de tão apertadinho que está. 

Mas em três dias ela lá já cá. (e eu estou há duas semanas a fazer esta contagem)


Feliz dia da mãe!

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Estrangeirismos

Desculpa, mas há dias que nem me lembro de ti. Não é por mal, mas o life cycle e o status dos medicamentos ocupam-me o pensamento, e eu, não me lembro de ti. 

Parece bem usar estrangeirismos, na verdade tudo fica mais pomposo. É que o  meu dia começa em português, meia hora em castelhano. Segue em inglês, novamente castelhano e há quem tente o catalão. E no meu disto, passa-se o dia e eu nem me lembro de ti.

Às vezes nem sei que idioma usar. O que sair, dá igual. No final lá nos entendemos, nem que seja por gestos. E com tanta coisa, eu não me lembro de ti.

Não é por mal. Sabes que saudade e recordação estão no topo da lista de um emigrante. Mas os dias seguem igual, o teu e o meu. E tu também não te lembras de mim.

E isso ajuda a acalmar a saudade.

Depois saio do trabalho. Na pior das hipóteses subo a Príncipe das Astúrias e vou directa para casa. Há dias que aproveito para dar uma volta. Ou vou ao super mercado e dou-e conta que uma embalagem de iogurtes pode durar mais de uma semana. Algo que nunca tinha visto em 25 anos.

Uma coisa é certa: volto sempre com mais compras do que aquelas que tinha planeado fazer. É só a mim que acontece estar com o cesto quase cheio e perguntar: mas afinal o que é que eu vim comprar?

Viver numa cidade em que a rua está sempre cheia implica uma estratégia de caminhada bem estabelecida. Caso contrário é impossível desvirar dos carrinhos de bebé, dos velhotes, dos carros de compras e dos turistas com ritmo domingueiro. 

Mas finalmente chego a casa, e o meu dia acaba em português.

E no meio de tudo isto, como queres que me lembre de ti?