segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Tempo!

«Precisamos de clareiras para pensar. Espaços livres na rotina de todos os dias que permitam pôr um ponto final nos ciclos de pescadinha de rabo na boca em que andamos enredados. Momentos em que nos desligamos do mundo, dos telemóveis e dos computadores, das exigências do jantar na mesa, do relatório entregue e dos pedidos dos nossos filhos e, perante o azul infinito do céu, voltamos a hierarquizar prioridades. Um tempo para nos perguntarmos coisas simples, como por exemplo, quero e preciso mesmo de correr como uma louca de tarefa em tarefa, sem ter sequer a certeza se são mesmo importantes ou me levam para onde quero ir.

Aparentemente bastava-nos subscrever o enunciado acima, e o passo seguinte seria fácil. Marcávamos um dia na agenda ou sentávamo-nos logo ali no chão e tratávamos de pôr as contas em dia. Mas raramente fazemos as coisas assim. Quase nunca, para dizer a verdade. Pela simples razão de que temos medo que se pararmos, por minutos que seja, vamos concluir que não sabemos ao que andamos e, chegados a essa conclusão, impunha-se agir em conformidade, ou seja, tomar decisões, fazer mudanças, confrontar os outros. Por isso, mascaramos a demanda de mil exigências perfeccionistas. Já não nos basta uma manhã, nem uma tarde, nem sequer um dia, já não serve o pátio fresco de uma casa, ou o banco de uma igreja bonita e, quando damos por isso, convencemo-nos de que para reavaliar o nosso equilíbrio interno precisamos de umas férias de catálogo. Por outras palavras, adiamos.

E porque adiamos o nosso corpo protesta, e temos insónias, e dói-nos o estômago, e há momentos em que a ansiedade nos aperta o peito com tanta força que estamos seguros que o coração explodiu, e falta-nos o ar. Mas continuamos porque as mulheres não param, nem cruzam os braços, e além do mais há sempre alguém que precisa mais de ajuda do que nós.



Asneira. E a factura surge mais tarde ou mais cedo e se for mais tarde terá somados impostos entretanto criados. Por isso, se não pode ingressar num convento no Nepal, não descarte clareiras com defeito, mas à mão de semear (...)»


Isabel Stilwell 


**


domingo, 22 de janeiro de 2017

"DEI-ME CONTA DA SORTE QUE TENHO"





Maria Campos nasceu a 22 de Julho de 1997 no Centro Clínico de Lisboa do SAMS. “Passei a maior parte da minha infância na capital mas íamos muitas vezes à Ericeira porque temos uma casa lá. Tenho ótimas recordações”. 
A Maria é uma rapariga alta, de olhos grandes e escuros em forma de amêndoa. O cabelo castanho cai-lhe sobre os ombros formando suaves ondas que lhe dão um aspecto descontraído. Mostra-se sorridente e expressiva enquanto mistura o chantilly com o seu café longo num dos espaços mais frequentados do Saldanha: “ A Choupana”. Há vários anos que aquele estabelecimento é o seu local preferido para ir lanchar com os amigos. “É um sítio ótimo para conversar e tem imensa Nutella. Eu sou viciada em Nutella!”. 

 O olhar dela parece vaguear algures entre os croissants acabadinhos de fazer com um delicioso recheio de chocolate e a sua memória, à procura de algumas recordações de infância. “Definitivamente a parte que me lembro melhor da minha infância foi quando fiquei com diabetes aos 7 anos. Foi duro e claro que teve um lado positivo e outro negativo”. Sente que graças a esta doença cresceu mais depressa que o resto das pessoas da sua idade e ganhou uma maturidade prematura. “Com a Maria eu falo sobre tudo, sem filtros. E é estranho porque ela é mais nova do que eu. Mas a verdade é que desde sempre teve um nível de maturidade muito superior ao esperado para a idade dela. Abordamos os nossos problemas e tentamos sempre lidar com eles de uma maneira madura e adulta”, afirma a Inês, amiga e vizinha da Maria há cinco anos. 


Claro que a diabetes deixou nela algumas consequências menos positivas. “Sentia-me diferente das outras pessoas da minha idade. Durante quatro anos comia sempre o mesmo e quase não provava doces. As minhas amigas passavam a vida a comer gomas e chocolates e isso quando se tem sete anos custa muito”. Admite que muitas vezes ainda não consegue aceitar a diabetes e que lhe custa lidar com ela. Hoje em dia já pode comer todos os alimentos com moderação. Utiliza uma máquina infusora de insulina que lhe permite controlar melhor a doença (se for bem utilizada) do que as antigas canetas que tinha quando era pequena. Os olhos adquirem uma expressão mais dura, apesar de manter sempre o sorriso nos lábios, enquanto fala da diabetes. A sua saúde não se encontra no melhor estado no presente e para uma rapariga nova e aventureira como a Maria não é nada fácil. No entanto, deu-se conta com o passar do tempo que o sofrimento também sabe ensinar. “Dou muito mais valor à minha vida graças a isto. Tenho que lutar muito mais por mim mesma, comparativamente a outras pessoas porque é uma coisa da qual depende toda a minha vida”. 


A Maria vive num condomínio na cidade Lisboeta com os pais, a irmã Inês de 14 anos e o Afonso de 11 anos. Sempre se sentiu muito ligada ao pai devido às várias parecenças em termos de gostos e interesses. A Maria valoriza muito a família e esforça-se por melhorar ao longo dos anos a sua convivência em casa. “ As duas maiores qualidades da Maria são a sua enorme sensibilidade e disponibilidade para os outros”, afirma o pai. “Por vezes é conflituosa mas cada vez menos. Revela um sentido de família apuradíssimo, é muito amiga dos pais e dos irmãos, é muito organizada e dialoga muito sobre tudo”. 

Frequentou até ao 12º ano o Colégio Mira Rio no Restelo. “É só para raparigas mas gostei muito e adaptei-me bem”. Fez muitas amigas no colégio com as quais ainda mantém uma sólida amizade. “ A Maria é espectacular, dedica-se a cada pessoa pensando no que ela mais precisa.” conta a Madalena, amiga do Colégio. “ O que mais gosto de fazer com a Maria são festas de pijama. São momentos mesmo divertidos onde podemos conversar, cozinhar, ver filmes e divertirmo-nos!”.
 Cozinhar é o hobbie preferido da Maria desde os nove anos de idade. Começou por receitas simples como pãezinhos e bolachas de manteiga, passando depois para todo o tipo de cozinhados. “Adoro cozinhar italiano e indiano mas normalmente sou melhor nos doces. As minhas especialidades são brigadeiros e cheesecake de frutos silvestres”. Gosta de cozinhar principalmente porque considera a gastronomia como algo capaz de criar bons momentos e gerar sorrisos facilmente. 

Estudou bastante durante o secundário e aprendeu a importância de trabalhar com seriedade e dedicação. Conseguiu acabar com uma média de dezoito valores, o que lhe abria muitas portas. A sua meta na altura, era chegar a ser diplomata e pensou que uma boa maneira de alcançar esse objetivo seria entrando para o curso de Direito na Católica. “Direito é um curso mais abrangente do que Ciência Política e Relações Internacionais (CPRI). O meu pai fez o mesmo na altura e achava que era o melhor caminho para mim”. O ambiente da faculdade fascinou-a ao início. Gostou muito da organização da Católica e dos docentes que considerava muito competentes. Arranjou rapidamente alguns amigos devido à sua personalidade extrovertida. Sentia-se mais crescida e independente sendo universitária. Todavia, o curso não a deixava satisfeita. “ Andei a arrastar-me por direito durante seis meses. No geral estava muito desanimada porque sentia que aquele não era o meu caminho, que não era aquilo que eu devia estar a fazer”. A frustração da Maria não tardou em crescer e os pais decidiram levá-la a uma psicóloga para fazer um teste psicotécnico. Os resultados foram claros: CPRI ou Psicologia. “Decidi optar por CPRI na FCSH_ NOVA. Estou a gostar imenso, tem muito mais a ver comigo”. 


Quando decidiu desistir do curso de Direito, o segundo semestre mal tinha começado. A Maria deparou-se então com um dilema: ou terminava o primeiro ano da licenciatura ou desistia a meio. Acabou por decidir sair da Católica mas precisava de arranjar alguma coisa para fazer até às férias do verão. “ Sou aquele tipo de pessoa que não consegue ficar parada, não dá. É impossível! Por isso decidi que ia fazer voluntariado”. Há muitos anos que vai fazer companhia a idosos, principalmente no Convento da Encarnação, que ajuda em creches e distribui comida aos sem-abrigo. 

Fazer este tipo de voluntariado sempre lhe deu muita alegria porque a obrigava a esquecer-se de si mesma e dos seus problemas.
“ Para mim fazer voluntariado é dar sem esperar nada em troca. É algo que me faz 100% feliz”. 
A Maria ouviu falar da AIESEC que organiza estágios e programas de voluntariado para estudantes e fez uma pesquisa intensiva durante uma semana, enviando depois algumas candidaturas. A primeira resposta que recebeu foi de Biscke, na Hungria. Ficou delirante de alegria pois era o seu destino preferido e pensava que podia ser muito bom ajudar as pessoas num campo de refugiados. “O que eu mais gosto na Maria é o facto de se entregar às pessoas. Principalmente a quem precisa. E fâ-lo com o coração todo" afirma a Inês, vizinha da Maria. 
Em casa, a notícia da sua decisão foi bem recebida. “ Apoiei-a desde o primeiro momento por perceber que era isso que a Maria queria e por sentir que tem um dom e uma vocação natural para o que ia fazer. Alguma preocupação, derivada a ser a primeira vez que a Maria, insulinodependente, iria estar tanto tempo "fora da base" num país estranho”, conta o Pai.

Maria ajeita a camisa verde tropa com uma das mãos enquanto dá um sorvo no seu café com a outra. A sua disposição alegre às 10 horas da manhã chama a atenção e possui um entusiasmo contagiante. A Inês, que convive frequentemente com a Maria, confirma que há momentos que passa com a amiga em que sente uma mudança. “ Um dia fomos as duas a um restaurante comer. E no meio do jantar a Maria começou-me a falar sobre a sua maneira de estar na vida. Não consigo descrever o que se passou naquela noite mas posso dizer que esse momento abriu me muitas portas na minha vida. É daquelas raras pessoas que consegue trazer o que há de melhor em nós”.
Chegou o dia da partida. Foi a 16 de Maio de 2016 para Biscke mas só chegou ao campo três dias mais tarde devido à necessidade que tinha de tratar de uns assuntos em Budapeste. Quando chegou ao campo o primeiro impacto foi assustador. “ Nós vemos muitas coisas na televisão mas pisar aquele solo completamente diferente é mesmo alarmante”.
Qualquer pessoa que conheça bem a Maria responde prontamente que a sua maior qualidade é a coragem. “Lembro-me que quando tinha cerca de 2 anos, ao estar a pular em cima do sofá, a Maria desequilibrou-se, caiu e bateu com a cabeça na quina do degrau da lareira, fazendo um lanho de todo o tamanho e começando a deitar imenso sangue. Levamo-la a correr para o Hospital de Santa Maria, onde levou vários pontos. Durante todo o tempo, a Maria não chorou, nem quando a coseram. Desde cedo revelou-se uma menina muito corajosa e resiliente a todas as adversidades”, conta o Pai. 
Maria emociona-se um pouco ao relembrar aqueles meses no campo de refugiados e sorri serenamente enquanto reflete sobre o dia da chegada. 

“Não chorei. Mas fiz um esforço muito grande para não chorar. Achei que era a última coisa que eles precisavam que eu fizesse e a última coisa que eu precisava de fazer. Eu cheguei e já havia pessoas a chorar porque é que eu me ia juntar ao choro com a sorte que eu vi que tinha? Senti um vazio enorme porque me apercebi que me faltava qualquer coisa e o que acabou por acontecer é que eles me deram essa qualquer coisa que faltava”. 

No dia a seguir à sua chegada ao campo, começou a trabalhar. Havia muita coisa para fazer. Encontravam-se mais de 800 refugiados no campo num espaço que daria para, no máximo, caberem 450 pessoas. As entradas e saídas de refugiados eram constantes. A Maria e os outros voluntários, que eram apenas mais dois, tinham que ajudar toda a gente que chegava a arranjar um lugar para dormir. “Os húngaros não se importavam se eles ficassem a dormir na rua”.
Forneciam-lhes água, fraldas, shampoo para tomarem banho… Era frequente também terem que levar alguns refugiados ao posto médico. A expressão da Maria endurece ao lembrar-se da maneira como muita gente tratava as pessoas que viviam no campo. Não foram poucos os casos de agressões e injustiças que testemunhou. Muitas vezes negavam-se a tratar dos refugiados que eram levados ao posto médico. “ Levei uma miúda de seis anos porque tinha uma infecção no braço e fecharam-me a porta na cara. Outra vez levei um homem que tinha partido uma costela e mandaram-no embora com um paracetamol. Ficou uma semana com a costela partida e a morrer de dores. É muito triste. As pessoas não são tratadas como seres humanos”. 


A Maria ficou encarregada de organizar as atividades para as crianças. “It was amazing, she would create a very good vibe in the group. And she was a hard worker”, afirmou Friederike, uma voluntária franco-alemã que recentemente vive no Canadá.
Alegrava-a tornar aquelas crianças mais felizes e gostava muito de brincar com elas. Brincavam nos pré-fabricados, ensinava as meninas a pintar as unhas e a fazer penteados, aprendeu a fazer música com pedacinhos de relva e jogava futebol. Implementou também umas aulas de inglês, que permitiram às crianças comunicar um bocadinho melhor entre si. Raramente se ia abaixo quando aparecia um problema e lutava incansavelmente até o resolver. “She tries very hard to think of a solution and not give up even though it could mean some sacrifice”, afirma Charlene Ong, uma voluntária de Singapura.


“You. Beautiful” é o nome do blogue que a Maria criou durante a sua estadia na Hungria. Nele relatava o seu dia-a-dia e as histórias que mais a impactavam. O nome do blogue é bastante original e suscita alguma curiosidade. A Maria sorri com entusiasmo enquanto fala desta ideia, recordando o que se passara há uns meses atrás. No primeiro dia, decidiu fazer uma visita guiada ao campo. Enquanto caminhava deu-se conta que alguém espreitava por trás de uns arbustos. “ Sou muito curiosa e tive que ir ver quem era. Encontrei uma criança Síria de seis anos, a Sahma. Tinha uns olhos verdes enormes e o cabelo muito encaracolado e escuro”. A Maria acabou por conhecer a família da criança e ficou muito ligada a eles. “Comecei a querer aprender algumas palavras em árabe e perguntei à Sahma como é que se dizia ‘beautiful’ porque reparei que eles eram todos muito bonitos”. A partir daquele momento, sempre que se encontravam a Maria cumprimentava-a com um “You beautiful” e ela respondia “No, you beautiful” em árabe. “Foi por causa desta brincadeira que pus esse nome ao meu blogue. Talvez por ter sido a primeira criança que eu conheci e por ainda ter um significado especial para mim”. 


A Maria considera-se uma rapariga romântica e gosta muito de histórias de amor. “É das melhores companheiras para ver filmes românticos!”, afirma a sua amiga Maria. O seu romance preferido é “Cartas para Julieta” no entanto, considera “Amigos improváveis” o melhor de todos os filmes. “É um filme muito claro enquanto aos sentimentos, especialmente em relação à amizade. Mostra que na companhia de um bom amigo, as dificuldades e problemas tornam-se mais fáceis de enfrentar”.


No campo de refugiados, a Maria teve a oportunidade de testemunhar uma verdadeira história de amor, muito dura. Conheceu lá um casal de namorados que vinham do Nepal, com dezoito anos de idade. Fugiram do país porque as famílias deles não aceitavam que se casassem devido à diferença de castas. “Ele era extremamente rico, ela extremamente pobre. A mãe dele e o irmão batiam-lhe a ela muitas vezes, chamavam-lhe nomes e trancavam-na em casa para não poder ver o namorado”. Ele acabou por se revoltar com a situação e propôs-lhe que fugissem e começassem uma vida juntos em algum lado. Foram para a Índia e estiveram lá duas semanas. Conheceram um homem que lhes disse que os levava para a Alemanha em troca de algum dinheiro. E claro… Enganaram-nos. Foram levados para o Iraque e atirados para uma sala cheia de árabes. Contra a sua vontade, meteram-nos nuns camiões que os deixaram no meio do nada. Tiveram que andar a pé durante dois meses e chegaram à Hungria, ao campo de refugiados, onde estiveram durante cinco meses. Neste momento têm casa em Budapeste e ela já trabalha. Cortaram relações com as famílias mas nota-se que é algo que lhes custa muito. “Ela estava a estudar Gestão, ele engenheria. Roubaram-lhe todos os certificados, nem sequer têm um papel que comprove que são do Nepal”. Maria sentiu-se impressionada com a quantidade de pormenores que conseguem ter um com o outro mesmo sem dinheiro e a passar por uma situação tão difícil “ Confiaram -se a vida toda. Lutaram um pelo outro a níveis extremos”. 


O maior sonho da Maria Campos é trabalhar com refugiados. A experiência mostrou - lhe claramente o seu novo objetivo para o futuro. 



“ Quero criar uma ONG para refugiados, uma ONG melhor que todas as outras”. 



Maria Calderón 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Recolhas até 25 de Janeiro - Porto e Lisboa


Um café, por favor! (Por este, vai ter que esperar)


"É provavelmente o café mais famoso do Instagram. O hashtag #coffeeinacone já tem mais de um milhão de fotografias só naquela rede social. A ideia nasceu num café sul-africano, em Joanesburgo, o The Grind Coffee Company, e rapidamente se tornou um fenómeno na Internet. E não é para menos: um café quente num cone de bolacha forrado a chocolate? É uma entrada direta para o paraíso. "



in Casal Mistério





Enquanto espera, desperte! Clique para tocar!










quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Não perca a união das duas entidades que mais chateiam a "caridadezinha" da esquerda:

McDonald's & Papa
____________________________________




Perspectivas

Quando era uma criança, tentava fazer bodyboard com a minha micro prancha azul - fui enrolada 2 vezes pelas ondas do mar e achei-me a maior, pensava que tinha enfrentado os perigos da natureza, achava que era altamente, que estive quase a morrer pelo meu espírito de aventura.... 
Até que cresci... e vi este filme:


---- AQUI ---



quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

domingo, 15 de janeiro de 2017

Vamos negociar? Como?

A essência de negociar reside na avaliação do problema/dúvida, em conjunto - ambos focados nos seus interesses, e por fim escolher a opção benéfica mútua - win-winPode dizer-se que o processo de avaliação absorve uma só realidade com pontos de vistas iguais ou diferentes. Esta dinâmica é que torna a resolução de um problema, um verdadeiro jogo de braço de ferro, um jogo que não envolve feridos, envolve a força de talentos!!!

Um excelente filme para ver no arranque de semana!!


quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

A Arte de um ano que passou!

Ainda se lembra do que viu no ano passado, por aqui?


Máquina do tempo, et voilà



Há algum tempo atrás, em meados de Abril de 2016, alguém escreveu isto:



Como somos um blog com fortes raízes na procura constante pelo BeloBem e o encontro com a Verdade.Entre os vários temas que queremos escrever, chega-nos um desafio de estar presentes no mundo da arte. Achámos imperioso criar ainda mais Belo este espaço. Com este propósito de tornar esta rubrica apelativa, vamos comunicar através de quadros de pintores que marcaram a história da arte moderna e contemporânea.Visitar este espaço será uma ida a um museu que lhe oferecerá outra forma de ver o mundo. Uma forma que enaltece o sentido da estética, das emoções e da imaginação das ideias expressas nos movimentos dos desenhos esculpidos em cada quadro.
Mantenha-se atento porque a viagem no mundo arte moderna e contemporânea começa aqui.

Esperamos por si Traga a máquina fotográfica e acompanhe de perto a exposição sem filas de espera...





Bom!!! Esse alguém 😎 não foi muito ambicioso e só transportou 6 grandes histórias, de 6 grandes Pintores, para a rubrica HE- ART!!! Fica o balanço de ano que passou, numa só fotografia.


Consegue descobrir de quem são estes 6 quadros?



Fica o desafio!


(Cábula: Clique na etiqueta HE-ART para ver todos posts)


Escrito por Outros!

acordar e abrir muito os olhos, esticar os braços e abraçar. ouvir. cheirar. agradecer. não sei o que espero, mas espero tudo. e quero dar, dar, dar. e ser agradecida pelo que recebo.
há música e eu canto baixinho enquanto a casa dorme. preparo chá de limão e volto para a janela para namorar o céu. registo. quero lembrar-me sempre de olhar para cima. e descobrir o Novo a toda a hora, e guardar tudo no mesmo lugar. 
tenho medo, também, claro que tenho medo, faz parte do que é isto. mas tenho mais dias de luz e de coragem, e noites de abraços e músicas, e pessoas-boas à minha volta e coisas que aprendo, e nuvens e um-coração-cheio-de-fé e mais ideias e livros e viagens e amor e flores e cozinhados e presentes e janelas e fotografias e café e o peito onde me deito e a cumplicidade que somos e branco e calma e esperanças e sol e serenidade e força e mar e eu e tu. 
acordar e abrir muito os olhos, esticar os braços e abraçar. cada hoje é o dia perfeito para (re)começar. 

às nove no meu blogue

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Simples!!!


💓



Hábitos.Reprogramar!

Hoje falamos de gestão de tarefas no trabalho, quando a preguiça instalar-se. Com início de um novo ano, nada melhor que reprogramar as visitas com a nossa querida preguiça e deixá-la na lista dos pendentes.

Na prática: quando não lhe apetece trabalhar. O que faz? Ou melhor o que não faz? Espera pela receita milagrosa ou pela inspiração!! Mesmo conhecendo a receita de um só ingrediente: Força de vontade!! 
Ajuda a pensar que se tivermos à espera da chamada força de vontade, toque à porta, o tempo passa e o que tem a ser feito, acumula-se!!! As consequências não vamos enumerar, mas aparecem como um "monstrinho" que vêm assustar e entreter o nosso ânimo!!!








 2017.  - És uma nova motivação para reprogramar os meus hábitos. Manter os bons e educar os menos bons!


👌Começar 2017 com bons hábitos!!

Somos o que repetidamente fazemos


segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Mário


"Somos livres porque Mário Soares esteve do nosso lado contra os comunistas. Não tivesse tido o discernimento e a coragem de o fazer, e a vida da geração dos meus avós, dos meus pais, e a minha, teria sido desgraçada. Por isso estou-lhe profundamente grato.
Mas Mário Soares foi muito mais que esse momento. Era o ‘bochechas’ que perdeu para Sá Carneiro e para quem ia perdendo o centro político. Não fosse Camarate como teria sido a carreira política do então líder do PS?
Soares foi o primeiro-ministro da austeridade que, 30 anos depois, criticou em nome de interesses que, quando necessário, combateu. Ganhou a presidência com coragem e 8% nas sondagens. Mas teve azar com as duas maiorias absolutas de Cavaco.
Implacável, não aceitou que o país não precisasse dele. Entrincheirado numa esquerda à qual não pertencia, defendeu um mundo diferente daquele que ajudou a fazer. O último Soares combatia ainda, mas contra a inevitabilidade do fim, luta para a qual qualquer coisa servia."

Jornal Económico, André Abrantes Amaral

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Marca n'Agenda: Vamos ao Cinema


Ainda sobre o amor não ser um sentimento


"Amar não é um sentimento é uma atitude" | Filipa Sáragga

«Amar não é um sentimento é uma atitude.»

Ao telefone com a actriz Ana Brito e Cunha







Na semana passada, agarrei no telefone e liguei à Ana Brito e Cunha, que, para além de ser uma grande actriz portuguesa, é também alguém a quem tenho a sorte de chamar amiga. Dei-lhe os parabéns por esta nova grande etapa que está a viver na sua vida. Aos 41 anos, a Ana vai ser mãe pela primeira vez.
Sei bem o que este momento significa na vida dela e, por isso, era inevitável que a conversa não enveredasse para temas mais profundos. Falámos sobre os nossos sonhos e os timings em que eles acontecem, e porque é que alguns se realizam e outros não.
Falámos sobre todas as mulheres solteiras que sonham casar-se, mas a quem, por algum motivo, isso ainda não aconteceu.
Depois, a Ana contou-me que desde pequena que dizia: «Quando me casar, quero que seja para toda a vida.» E então explicou-me que é capaz de entender os anos em que experimentou a solidão, a tristeza e aquela esperança que parecia inalcançável.
«Sabes, Filipa, quando uma pessoa não tem vontade de sair ou se está mais introspectiva, é porque nesse momento da sua vida precisa de crescer nesse sentido. Talvez essa pessoa esteja a precisar de se conhecer melhor, esse autoconhecimento pode estar a prepará-la para aquilo que sempre sonhou, mesmo que seja com sofrimento. Comigo, foi assim que aconteceu. Se eu me tivesse casado antes, a probabilidade de ser para sempre talvez fosse menor, eu era mais miúda e, por isso, também mais impulsiva e mais precipitada, e a grande vantagem da maturidade é sabermos aquilo que queremos e aquilo que nos faz falta.»
Esta conversa fez-me pensar em todas as mulheres que se sentem sozinhas, as que sofrem por isso, mas que não sabem que esse sofrimento está a construí-las por dentro. Muitas delas estão apenas a tornar-se mulheres mais fortes, mais sábias e mais preparadas.
Não tem de haver uma altura certa para as coisas acontecerem. Elas acontecem quando têm de acontecer e quando estamos preparados para as receber.
A pressão que a sociedade coloca sobre as pessoas e sobre os seus objectivos é cada vez maior, e não podemos nem devemos ceder a ela, porque a nossa felicidade só diz respeito a cada um de nós. Muitas pessoas tornaram-se e são infelizes por terem querido cumprir determinados objectivos sem estarem absolutamente certas das suas decisões.
Existe uma outra grande vantagem na maturidade, é que ela faz-nos amar com mais convicção e com mais sabedoria. Na realidade, a maturidade e o verdadeiro amor ensinam-nos que amar é muito mais dar do que receber.
«Uma vez, ouvi uma entrevista do César Mourão que me causou imensa ternura. Ele estava no casamento de um amigo e sentou-se ao lado do padre, e o padre disse que o casamento era fazer o outro feliz e não esperar que nos fizessem felizes a nós. E o César disse: "Então, eu sou casado com a minha filha, porque vivo para a fazer feliz."»
E é mesmo isto o verdadeiro amor: é ver o outro feliz. Amar verdadeiramente é não querer retorno, não é uma necessidade, não é uma exigência e não é uma espera, mas uma entrega.
E a Ana continuou:
«Num dos meus seminários de actores profissionais em Madrid, o meu professor de teatro, o Juan Carlos Corazza, ensinou-me que o amor não é um sentimento; é uma atitude. Explicou-me que o sentimento é "gosto" ou "não gosto", e a atitude que se coloca nesse sentimento é que é o amor, da mesma forma que também se pode, por exemplo, colocar ódio.»
Essa escolha que fazemos é aquela que determina, ou não, a nossa felicidade, e é também aquela que nos torna livres ou presos para sempre.

Depois desta conversa, senti a necessidade de transmitir cinco ideias-chave a todas as mulheres que se sentem sozinhas: 

1. Se estás sozinha, tira o melhor de ti enquanto tens esse tempo para te conheceres;
2. Não cedas a pressões, porque o amor não escolhe nem dia nem hora, e tu tens de te sentir preparada para o receber;
3. A maturidade oferece-te uma maior probabilidade de saberes exactamente aquilo que queres e aquilo que verdadeiramente te fará feliz. Foi mais tarde, mas foi para sempre.
4. O amor é fazer o outro feliz e não esperares que te façam feliz a ti;
5. O amor não é um sentimento; é uma atitude.

Revista Sábado, Dezembro 13 / 2016: AQUI

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Porque hoje é dia 3/1: Rosarinho Morais Barbosa

Quero que o meu primeiro post 2017 tenha um grande tema | Quero (re)começar a falar do que também é soberano | Quero escrever sobre a amizade.



Porque hoje é o dia 3 de Janeiro

Há muito tempo atrás - ou então não - ano de 2008, estávamos na faculdade, tínhamos grandes desejos, éramos umas miúdas - ou ainda somos - foi quando as nossas vidas se cruzaram. Quero que o meu primeiro post do ano seja sobre ti Rosarinho e sobre a riqueza que és tu.

Lembro-me do primeiro dia que te conheci, naquele tarde ao sair da Residência dos Álamos, perguntaste-me queres companhia até ao autocarro? E acabamos por ir juntas ao McDonald's.
Falamos de imensa coisa....  perguntei-te qual era o teu livro preferido, e tu respondeste-me passado um dia com a oferta do  Miserere, escrito pelo teu pai, porque não era só um  livro, era a história, a tua história.

Naquela noite não sabia que estava a conhecer uma das minhas melhores amigas, não sabia que estava a conhecer uma família maravilhosa, não sabia que estava a conhecer uma daquelas pessoas raras no século XXI que te ajudam a quereres ser melhor (ou por outras palavras, sem respeitos humanos, a quereres seres santa) e apesar das tuas fraquezas, a Rosarinho vai buscar sempre o bem que há em ti, e, se não houver, ela repara em qualquer coisinha.

Agradeço muito a Deus esta amizade, agradeço muito a Deus a Rosarinho, porque é um tesouro, porque é uma raridade, porque rimos até doer a barriga -literalmente- porque não temos cerimonias quando se fala do frigoríficos lá de casa, porque comemos batatas fritas às 2h da manhã e dizemos às outras que fazemos dieta, porque não temos filtros, porque falamos de coisas profundas como falamos das coisas mais simples, porque tiramos fotos estúpidas e mostramos a toda a gente a achar que temos imensa graça e não temos, porque chamamos "Bruna" à nossa amiga durante 5 anos, porque temos um passo de dança que só nós entendemos, porque o sushi é melhor e maior teu lado, porque todas as frases feitas e pirosas dos pacotes de açúcar fazem sentido contigo...

Crescemos juntas, não em tempo físico, mas em tempo espiritual, amadurecemos, aprendemos muitas coisas em conjunto e só aprendemos porque estávamos em conjunto.
Não foi só rir, também soubemos sofrer, é raro saber sofrer, ter a tua ajuda nos maus momentos, ter-te sempre, é saber que nunca vamos estar sozinhas.

Parabéns minha querida Rosarinho!
Nunca consegui passar este dia contigo, parece que há um oceano que nos dividi, mas isso não impediu que os outros 300's dia's do ano não tenham sido maravilhosos.

E este ano tenho o orgulho de ser a tua madrinha do casamento, 9 anos depois de irmos jantar ao McDonald's, 9 anos depois de ler o Misserere, 9 anos depois de "podia acabar o mundo", 9 anos depois dos sábados passados com as nossas velhinhas, quando o R faz mais sentido na C... cá estou eu, que orgulho, nos bons e nos maus momentos, nas grandes e nas pequenas lutas e agora em 2017 no ano do teu casamento. Para sempre amiga - ou uma espécie de irmã.


sábado, 17 de dezembro de 2016

Estar apaixonado


Sabemos que G. K. Chesterton converteu-se a fé católica e é um grande intelectual de obras literárias de qualidade admiráveis. Seu grande senso de humor faz com que o leitor, sinta-se ainda mais enriquecido intelectualmente, e se divirtam muito com seus textos.
Esta característica também está presente nas cartas privadas que ele enviava. Por exemplo, logo depois de pedir sua amada Frances em casamento, decidiu escrever a Mildred (esposa de seu amigo Waldo) contando-lhe a grande notícia de seu noivado.
Este foi o resultado:
“Querida Mildred:
Quando me levantei esta manhã, lavei cuidadosamente minhas botas com água e engraxei meu rosto. Então, vestindo o casaco com graciosa facilidade com os botões virados para as costas, eu desci para o café da manhã e alegremente coloquei café nas sardinhas e levei meu chapéu ao fogo para fritar. Estas atividades irão dar-lhe uma idéia de como eu estou. A minha família, vendo-me sair de casa através da chaminé e colocar a grelha da lareira debaixo do braço, pensaram que alguma coisa preocupava meu espírito. E era verdade.
Minha querida amiga, estou apaixonado”.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Marca n'Agenda | Porque há vida depois da morte



D. Javier Echevarria: Surf, só à terça-feira!

- - -
a carta de um filho espiritual ao seu Padre
- - - 



Para Deus não há acasos e, por isso, foi providencial que o prelado do Opus Dei, D. Xavier Echevarria, falecesse ontem, dia de Nossa Senhora de Guadalupe, aos 84 anos, em Roma.

São Josemaria Escrivá de Balaguer, fundador do Opus Dei, era muito devoto da Santíssima Trindade, as três pessoas que há no único Deus – Pai, Filho e Espírito Santo – mas também de uma outra muito santa trindade, formada pela Sagrada Família de Nazaré: Jesus, o próprio Filho de Deus encarnado, sua mãe Maria e o seu marido, José.

São Josemaria, de certo modo, também veio a constituir, com os seus dois imediatos sucessores, uma certa ‘trindade’ mas, como é óbvio, sem qualquer pretensão a qualquer analogia com as referidas trindades! Com efeito, mais não era do que um trio, ou uma tróica, composta por S. Josemaria, por D. Álvaro del Portillo, que viria a ser o primeiro prelado do Opus Dei, e por D. Xavier Echevarria, nessa altura mero sacerdote e secretário do fundador: ambos, com efeito, costumavam acompanhá-lo sempre. Depois da morte de Escrivá e da eleição do seu sucessor, em 1975, Echevarria passou a ser secretário-geral do Opus Dei e, em 1982, vigário-geral da prelatura, até à sua própria eleição e nomeação como prelado, após o súbito falecimento, em 1994, de D. Álvaro del Portillo, entretanto beatificado pelo Papa Francisco. Foi ainda o Papa São João Paulo II quem, em 1995, elevou D. Xavier ao episcopado, como tinha feito já com o seu antecessor, por ser canonicamente congruente com o seu múnus prelatício.

Para Deus não há acasos e, por isso, foi providencial que D. Xavier Echevarria, de 84 anos, viesse a falecer no dia em que liturgicamente se celebra a festa de Nossa Senhora de Guadalupe. São Josemaria, em 1970, durante uma viagem pastoral ao México, ao contemplar um quadro da aparição de Maria ao índio Juan Diego, comentou: “Assim quereria eu morrer: olhando para Nossa Senhora e que ela me desse uma flor”. Depois de um breve momento de silenciosa oração, concluiu: “Sim, gostaria de morrer diante deste quadro, com Nossa Senhora a dar-me uma rosa”. E assim morreu, de facto, no dia 26 de Junho de 1975, em Roma, pelo meio-dia, hora particularmente mariana: ao entrar no seu quarto de trabalho, olhou para a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe e caiu, fulminado, ao chão, para expirar pouco depois.

Chamados a Roma os eleitores, em representação de todos os fiéis do Opus Dei, votaram unanimemente naquele que tinha sido o mais directo colaborador do santo fundador. Álvaro del Portillo tinha também participado intensamente nos trabalhos do Concílio Vaticano II, nomeadamente como secretário da comissão que redigiu o decreto relativo à missão e vida sacerdotal. Como sucessor de Escrivá, coube-lhe a difícil missão de levar a bom termo o processo de reconhecimento canónico do Opus Dei como prelatura pessoal, solução jurídica já prevista e desejada por Escrivá mas que só com Portillo foi possível implementar. Sob o seu impulso e com a bênção de S. João Paulo II, fundou a Universidade Pontifícia da Santa Cruz, na cidade eterna, e promoveu o trabalho pastoral e social do Opus Dei em muitos países.

Poucas horas depois da sua chegada a Roma, de regresso de uma breve viagem à Terra Santa, D. Álvaro del Portillo faleceu no dia 23 de Março de 1994. São João Paulo II, de quem era muito amigo, fez questão de ir pessoalmente, nesse mesmo dia, à cúria prelatícia, para rezar diante dos seus restos mortais. Por segunda vez na história desta obra de Deus, foi despoletado o processo eleitoral previsto no direito próprio da prelatura, de que resultou a eleição do então vigário-geral, Mons. Xavier Echevarria. São João Paulo II confirmou a eleição nomeando-o, no próprio dia 20 de Abril de 1994, prelado do Opus Dei e ordenando-o, pouco depois, bispo.

D. Xavier Echevarria, não obstante o apelido basco, era madrileno, mas viveu praticamente toda a sua vida em Roma, com S. Josemaria Escrivá e o Beato Álvaro del Portillo. Era proverbial a sua boa disposição, a sua humildade e a sua simplicidade: raramente, mesmo já sendo prelado e bispo, trajava de outra forma que não fosse uma simples batina preta, como qualquer padre, sem outro distintivo do que a cruz peitoral e um muito discreto e simples anel episcopal. Era tratado por padre por todos os fiéis da prelatura, dispensando outras fórmulas mais cerimoniosas mas menos familiares. Numa ocasião em que padeceu uma grave insuficiência cardíaca, disse a D. Álvaro que era chegada a hora de o substituir, como vigário-geral, por alguém mais válido, numa atitude de grande desprendimento e humildade.

Numa das suas últimas vindas a Portugal, tive ocasião de jantar com ele e, depois, participar numa muito amena reunião familiar. Sabendo do seu bom humor, enquanto lhe oferecia uma pagela com uma oração que compus para os surfistas, perguntei-lhe se praticava esse desporto, tão popular entre os jovens. Já octogenário, riu-se do meu atrevimento, ao mesmo tempo que me respondeu: Surf, só à terça-feira!

Já neste ano recebi uma sua carta pessoal, muito carinhosa, a propósito de uma minha doença e consequente internamento hospitalar. Sempre que morria algum dos mais velhos fiéis da prelatura, fazia também questão de escrever uma carta para as pessoas da Obra nesse país, consolando-as no seu luto. Todos os meses, também neste último do ano que foi também o último da sua vida, mandava uma carta-circular, não só para as pessoas do Opus Dei mas também para os cooperadores e amigos, em que nunca faltava alguma citação do magistério recente do Santo Padre, nem o pedido de orações pelo Papa Francisco, por toda a Igreja, pela Obra e, em especial, pelos mais necessitados.

Os primeiros cristãos chamavam dia de natal à data da morte, porque é o momento do nascimento para a vida eterna. Muito embora, humanamente, esta hora seja de tristeza e saudade, espiritualmente é de grande felicidade, na filial esperança de que aquela tão humana, feliz e santa ‘trindade’ – S. Josemaria, o Beato Álvaro e D. Xavier – já se tenha reencontrado junto da trindade da terra – Jesus, Maria e José – e da Santíssima Trindade. Laus Deo!

Padre Gonçalo Portocarerro, Observador 




terça-feira, 13 de dezembro de 2016

A Letter on Vulnerability and Fear of Love

Dear friend,


You have told me a great deal. I am sorry for your pain and I hope you can turn that suffering into something beautiful, for you and I both know how much goodness can come from one’s pain.

I understand your fear of being vulnerable again; of giving someone the power to hurt you again. You should not be afraid of letting someone love you. Yes, there will be pain, for love and pain go hand in hand, and the people that you love the most are the people that will hurt you the most, as well as the people that love you the most are the people you will hurt the most.

“There is no safe investment. To love at all is to be vulnerable. Love anything and your heart will be wrung and possibly broken. If you want to make sure of keeping it intact you must give it to no one, not even an animal. Wrap it carefully round with hobbies and little luxuries; avoid all entanglements. Lock it up safe in the casket or coffin of your selfishness. But in that casket, safe, dark, motionless, airless, it will change. It will not be broken; it will become unbreakable, impenetrable, irredeemable. To love is to be vulnerable.” CS Lewis

You say he is very special, that he is kind and generous, with a forgiving heart and a great desire to love. My friend, if any man deserves a chance to love you, that man seems to be him. Open your heart to him, put down those walls you’ve built around your heart. Love has hurt you once and love will heal you again.

You ask me what happens if he hurts you too. My answer to you is: he will hurt you, no doubt about that. The question you should be asking is: Is he worthy of your suffering?

You tell me you love him but you can’t trust him. Make no mistake my dear. “Love is not love until it's vulnerable” (Theodore Roethke). You may like him very much, but until you dismantle those barriers, you are closing your door to love. What is worse, you are denying someone the love he deserves. You were made to be a gift of yourself to others. I think the only way to get over your past wounds is by becoming a gift to him, instead of focusing on your pain, try to focus on his well-being. Do not spend much time thinking about yourself, for love is self-giving, not self-seeking.

Finally, it seems that God has put that person into your life right now. I will leave you these words of Saint John Paul II for you to meditate on:

“God wants to give another person to you” means that God wants to entrust that other person to you. And to entrust means that God believes in you, trusts that you are capable of receiving the gift, that you are capable of embracing it with your heart, that you have the capacity to respond to it with a gift of yourself.

Know of my prayers for you.
Your faithful friend,


A.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Nada de novo no "mundo dos artistas"


 "(...) E, de acordo com o que Bernardo Bertolucci admitiu numa entrevista em 2013, não estava no guião. Aliás, a forma como a cena desenrolou não foi consentida por Maria Schneider — atriz que viria a entrar numa profunda depressão depois do filme e morreu de cancro em 2011. O realizador de “O último Tango em Paris” afirmou que queria que a atriz “sentisse a humilhação e a raiva”, em vez de a representar. (...) Na mesma entrevista, a atriz afirmou que “se sentiu humilhada e um bocado violada” por Marlon Brando e por Bertolucci. “Depois da cena, o Marlon não me veio consolar ou pedir desculpa. Felizmente, foi só um ato”, disse. Depois de O Último Tango em Paris, a atriz francesa nunca mais apareceu nua em nenhum dos filmes em que entrou. (...)"



domingo, 20 de novembro de 2016

A propósito do dia de hoje*, a propósito das eleições, a propósito da democracia...



(*dia de Cristo Rei)

selfishness

Crash! by Werner Knaupp
_______________________________________________

Há cerca de dois meses estava em casa de um grande amigo meu, um homem de fé, cristão (não católico) e, por curiosidade, perguntava-lhe acerca da fé e da religião dele, como encaravam Cristo, os Santos, católicos, judeus, etc. Às tantas, a meio da conversa confessei-lhe: “Já tive Fé, já soube o que é tê-la e ter esse conforto na Fé que tu tens. E pergunto-me muitas vezes como a perdi, não faço ideia” e ainda eu não tinha acabado responde-me ele: “Não sabes como a perdeste? Não é óbvio? Perdeste-a porque não a praticaste”
Meu, aquilo bateu-me. Poucas vezes nesta minha não tão curta vida ouvi tanta sabedoria numa coisa tão simples. Porque é assim em tudo, rigorosamente tudo.
Como perdemos a paixão pelos/as parceiros/as que escolhemos? Não praticamos essa paixão. Como lhes perdemos o amor? Não o praticamos. Como perdemos amizades? Não as praticamos.
No meio disto, há esta coisa muito new age do direito a sermos felizes, nada mais interessa, “eu quero ser feliz”, “eu tenho o direito a ser feliz”, eu, eu, eu, eu isto, eu aquilo e no meio, perdemos completamente a noção do que é importante e do que nos faz realmente felizes. Que não é mais que isto: praticar a paixão, praticar o amor, praticar as amizades, praticá-las sempre. Isto implica muito mais que o eu, eu, eu, eu.
Bem sei que falar é fácil e ainda por cima não sou exemplo de coisa nenhuma. Mas aquela afirmação deste meu amigo sobre a fé, fez mais pela minha visão do Mundo e pela noção do que é a felicidade verdadeira (que não é um estado, são momentos, a felicidade como estado não existe) do que os milhares, sim milhares, de livros que já li e que todas as experiências porque passei.
Por isso, não me venham com merdas, lembrem-se da epifania do Kevin Spacey em A Beleza Americana quando tem a miúda, amiga da filha, nua na cama. E deixem-se de merdas de ir à procura da felicidade noutro sítio diferente daquele em que vocês estão. Aí onde vocês estão exactamente agora, quando lêem isto, vocês praticam o que vos faz felizes, a paixão que já conheceram, o amor que já tiveram por quem anda por aí à vossa volta? Aposto que não. E nem dais conta e eu idem. Foda-se lá a burrice.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

E se o buraco no Japão tivesse acontecido em Lisboa...


Parece que no Japão havia um super, mega buraco na rua, daquelas cenas que se imagina só em filmes.... Mas o mais incrível, é que os Japoneses taparam o buraco em menos de 2 dias.



Vamos imaginar:  "E se o buraco no Japão tivesse acontecido em Lisboa..." (muahahahah)
Os primeiros 6 dias seriam para tratar da papelada na câmara municipal, os outros 6 dias seriam para escolher o empreiteiro, por fim passado 3 meses havia uma entidade, que pertence ao Estado, que emitia a autorização da obra. 
A obra começava, mas não demorava 2 dias, demorava 2 anos, depois haveria uma inauguração onde José Sócrates estaria presente, porque o seu Governo já previa este buraco!

Lisboa, a minha cidade, que tem autarcas apaixonados por betão.




Tradições que não falham

Bons costumes portugueses: somos óptimos a tratar bem os prisioneiros/criminosos/inimigos/Alemãs/subsidiários 
desde sempre
______________________________________________________
 Prisioneiros alemães na I Guerra viviam nos Açores em melhores condições que a população local
 Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, acolheu um dos principais “depósitos de concentrados” alemães de Portugal na I Guerra Mundial, onde, apesar da falta de liberdade, os prisioneiros chegavam a ter melhores condições que as da população local. 13 Novembro 2016 (Lusa)